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A grana e o leilão de Ronaldinho Gaúcho

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 23h51

A Copinha não engrenou, os “reforços” do seu clube não entusiasmam: então o que fazer, antes que comecem os campeonatos regionais, quer dizer, o futebol para valer? A resposta: divertir-se, se isso for possível, com o imbróglio da contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo, depois de oscilar entre Grêmio, Palmeiras e até Corinthians.

Coberto de razão, Pelé disse que era indigno de uma pessoa humana, um ídolo ainda por cima, submeter-se dessa forma a um leilão. De fato. Como achar normal esse tipo de comportamento, mesmo em mundo tão mercantilizado como o nosso? É evidente que todo profissional tem o direito de exigir a máxima recompensa por seu trabalho. Mas não existiria aí certo exagero, proporcional às cifras fantásticas pleiteadas pelo Gaúcho e por seu agente-irmão, Assis? Não precisariam de jeito nenhum chegar à utopia proposta por Pelé – jogar de graça para o Grêmio, pois já teria conta bancária bem fornida, para ele e para as gerações vindouras. Ora, se existe uma coisa que os ricos nunca acham que têm demais é dinheiro. Exatamente por isso são ricos.

Ronaldinho, o bon vivant Ronaldinho, dos pagodes, dos dribles e das baladas, não seria exceção. Quer mais e mais, como qualquer pessoa em sua condição. Mas não poderia ter encontrado um meio-termo entre ética e ambição, fechando com o Grêmio para resgatar aquela antiga dívida simbólica com a torcida do seu clube de origem? Não. Para variar, o vil metal falou mais alto.

É possível que esse leilão de Ronaldinho não seja lá tão diferente de outras “negociações” envolvendo jogadores. Talvez seja apenas mais tosca e explícita, por isso nos chame a atenção. Na verdade, é até útil para tomarmos consciência daquilo em que se tornou o mundo do futebol, pelo menos este futebol profissional de alto nível, com tantos interesses econômicos implicados.

Para o bem e para o mal vivemos na era do marketing, da publicidade. Jogadores como Ronaldinho e outros do mesmo patamar valem pela imagem. Nem precisam jogar tanto assim para justificar as cifras que movimentam.

A prova é o outro Ronaldo, o Fenômeno. Chegou desacreditado ao Corinthians, fez um bom 2009 e um 2010 pífio. Apesar de alguns gols magníficos, se fôssemos julgar Ronaldo pelo critério míope do custo benefício (Quanto onera em salário? Quanto rende dentro de campo?), o resultado seria negativo. Mas esse é o cálculo errado. A conta certa é verificar quanto se gasta com o Fenômeno e quanto ele traz de volta sob forma de marketing. E, feita essa conta, o saldo será amplamente positivo, jogue bem ou mal. Ou nem jogue, se for o caso.

Com Ronaldinho, a conversa será outra. Sem problemas físicos, não há por que duvidar de que jogará bem, e com mais frequência, num futebol do nível do brasileiro atual. Cada lampejo de craque no Flamengo irá turbinar sua imagem que, por sua vez, fará tilintar a máquina de marketing montada em torno de sua figura. Bem administrada, a marca Ronaldinho Gaúcho poderá ser uma mina de ouro. Daí a disputa acirrada por ele quando, notoriamente, seu mercado na Europa estreitou-se.

Melhores do mundo
Eu pensava que o melhor do mundo seria Iniesta, pela boa Copa realizada e, em especial, pelo gol do título contra a Holanda. Mas prevaleceu o bom senso e Messi vence de novo, mesmo tendo realizado uma Copa aquém do que se esperava. Mas Messi é mesmo o melhor. Assim como a melhor do mundo no futebol feminino é Marta, com seus cinco títulos, apesar da bronca da alemã Birgit Prinz. Só não gostei do melhor gol. O do turco Altintop é belo, mas prosaico. O de Neymar é poesia pura: pensou o impossível e tornou-o possível. Europeus importam a poesia, mas não a apreciam

Boleiros, 12/1/2011

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