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A Hora H *

Luiz Zanin Oricchio

19 de junho de 2012 | 09h44

Dá para compreender o desinteresse pelo Campeonato Brasileiro. Afinal, times como Corinthians e Santos, Palmeiras e Grêmio vivem esta semana sua hora agá. A hora da verdade, que é uma expressão originaria das touradas. Aquele momento em que as firulas são postas de lado e será preciso pegar o touro à unha, por assim dizer. No futebol, é quando se separam as crianças dos adultos, ainda para falar metaforicamente.

Será, portanto, a hora de 1) O Palmeiras confirmar os 2 a O enfiados no Grêmio em pleno Olímpico, sem cair na síndrome do derrotismo que muitas vezes parte das suas várias facções políticas em luta permanente, espraia-se pela turma do amendoim e contamina o time em campo. 2) O Grêmio mostrar que o ditado sulino “não está morto quem peleia” é mais que um conjunto de palavras. 3) O Corinthians dar razão a quem entende que o clube nunca esteve mais pronto do que agora para ganhar a sua primeira Libertadores. 4) O Santos se reafirmar como de fato o melhor time do Brasil, qualidade que precisa ser mostrada em campo, e não no blá-blá-blá dos bastidores e das mesas redondas.

Claro, as alternativas acima são excludentes. Se o Corinthians reafirmar seu favoritismo, depois do 1 a 0 no primeiro jogo, e em plena Vila Belmiro, restará ao Santos lamber feridas e tentar se reerguer no até agora desprezado Campeonato Brasileiro. O que não será fácil. Se der o contrário, todos voltarão a falar do trauma da Libertadores que acomete o timão e sobrarão explicações sociológicas ou psicanalíticas para dar conta do fenômeno. Se o Grêmio reverter a desvantagem falaremos da raça gaúcha ou da estrela do Luxemburgo. E se o favorito Palmeiras passar, tentaremos entender como um clube que cria suas crises do nada pôde chegar tão longe; talvez tenhamos de admitir as qualidades de comandante do Felipão, que sabe navegar em águas turbulentas e debaixo de nevoeiro.

De qualquer forma, teremos um meio de semana épico, com as torcidas dos times envolvidos com os nervos à flor da pele e não querendo saber de outra coisa senão desses jogos decisivos. Vai ser duro se concentrar em outra coisa.

Há 50 anos. No domingo comemoramos o cinquentenário do bicampeonato mundial. Foi uma saga maravilhosa da seleção, ainda mais porque ficamos privados de Pelé já no segundo jogo, contra a Checoslováquia. O mesmo adversário que nos tocou enfrentar na final. Morríamos de medo do time checo e nomes como Masopust, Kvasnak e Kadraba, cheios de consoantes, nos provocavam arrepios.  Os locutores de então os pronunciavam com dificuldade e reverência.

Mas, do outro lado havia nomes que, para eles, deviam ser igualmente aterrorizantes: Didi, Amarildo, Zito, Vavá e, acima de todos eles, Garrincha, o homem da Copa, o endiabrado Mané, que fôra expulso na partida anterior, contra o Chile, mas estaria em campo por manobras políticas da então CBD. Deu Brasil, 3 a 1, e a cidade fez carnaval fora de época. Naquele tempo, a seleção nos levava ao paraíso.

 * Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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