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A má-vontade com a seleção

Luiz Zanin Oricchio

16 de junho de 2013 | 12h51

Quem me alertou para o fato foi minha mulher. “Nossa, o brasileiro é incontentável!”, espantou-se ela depois da recepção fria à vitória de 3 a 0 sobre os japoneses.

Fiquei pensando se ela teria razão ou seria apenas a reação de quem acompanha o futebol mais pelo lado emocional que pelo racional.

Depois assisti a alguns trechos da mesa redonda da ESPN, uma das poucas que respeito na televisão. Depois de muita crítica, um deles (não me lembro mais quem) falou: “Se um marciano chegasse agora à Terra e ouvisse as nossas críticas, perguntaria de quanto a seleção havia perdido”. Outro deles, Mauro César Pereira, ustificou-se. O padrão de exigência com uma seleção pentacampeã tem de ser alto mesmo, disse. E, em parte, concordo. Se não formos exigentes com a seleção com qual outro time seremos?

Em todo caso, vi progressos no jogo. Não adianta falar da fragilidade dos japoneses, nem do evidente cansaço de quem veio de tão longe, sem tempo para se adaptar ao fuso horário. É da vida. E, mesmo assim, levando em conta que o Japão estava cansado e, apesar do progresso ainda é um adversário frágil, é preciso admitir que o Brasil jogou bem.

Teve, claro, a boa fortuna (não falo em sorte) de abrir o placar logo aos 3′ com aquele golaço de Neymar. Uma bela jogada, com Fred ajeitando no peito para o chute certeiro de Neymar, uma bola no ângulo, sem defesa. Já ouvi gente duvidar de que Fred tenha matado a bola para o outro finalizar. Ele tentou dominar para si mesmo, dizem, e não conseguiu. Pode ser. Mas, mesmo admitindo isso, quando viu que a bola tinha espirrado em direção a Neymar, Fred fez a barreira de corpo e não deixou o defensor japonês passar. Teve a inteligência do lance e, Neymar também: não enfeitou e nem pensou duas vezes – despachou a bola como ela veio. E deu certo.

Com a vantagem, o Brasil jogou o resto do tempo com serenidade. Passou um ou dois sustos, mas isso é normal. Ainda mais para um time em formação.

É claro que, como os outros analistas, estou curioso para ver como a seleção se comporta diante de adversários mais difíceis. Jogo fácil não testa a fundo nenhum time. Pode, no máximo, servir de termômetro para o progresso ou retrocesso. Os 3 a 0 e, sobretudo, a maneira como o Brasil jogou sinalizam um passo adiante na formação do time.

O que se pode dizer, portanto, é que há um time em campo. Já conhecemos a escalação de cor e vamos aprendendo a ver nele seus méritos e limitações. Não acho um timaço. Nem acho que vá sair daí um time inesquecível, para fazer história. Mas é já um time.

Seu principal defeito ainda é a falta de quem trabalhe melhor a bola no meio de campo. Falta QI no meio de campo. Precisaria de um meia, mas meia mesmo, e isso não sei se temos. O PH Ganso de 2010 seria esse cara. Mas ele ainda existe?

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