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A Ponte caiu?

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h37

29/4/2008
Tudo leva a crer que sim. A oportunidade da Ponte Preta era fazer o
resultado no primeiro jogo, em seu campo, e depois tentar administrar a
vantagem no Parque Antártica. Isso, na teoria. Porque, na prática, todo
mundo sabia que o Palmeiras tinha a vantagem desde o início. Time melhor,
treinador que faz a diferença, enorme tradição em títulos, etc. E a Ponte
entrava desfalcada do seu meio de campo criativo, sem Elias e Renato, e mais
o zagueiro César. Era muita coisa para superar diante de um adversário que é
mesmo superior. Sabia-se que, apesar do fator campo, o Palmeiras era
favorito, mesmo para esta primeira partida. E assim foi. O próprio técnico
Sérgio Guedes admitiu que seu time, sem armadores, se tornou previsível.
Time previsível é presa fácil na selva do futebol.
Esses jogadores devem voltar para o segundo jogo. Mas então, ao que tudo
indica, será tarde demais. E o Palmeiras terá saído de uma fila de nove anos
sem títulos. Começa a encostar no Corinthians em número de títulos paulistas
conquistados. Luxemburgo, com sete campeonatos paulistas, chega perto do
recordista, o velho Luis Alonso Perez, o Lula, que tem oito, do tempo em que
comandava o Santos de Pelé & Coutinho.
Talvez com o time titular em campo a Ponte ofereça um espetáculo melhor.
Dificilmente reverterá a vantagem do Palmeiras, que agora é de dois gols.
Mas poderá vender caro a derrota e terminar honrosamente com o título de
vice, quem sabe carimbando, por antecipação, a faixa do campeão. Pode vencer
o campeonato? Pode. Mas então o jogo entraria para a história como uma das
grandes catástrofes do futebol contemporâneo. Do ponto de vista palmeirense,
é claro. Para a Ponte, seria a maior façanha da sua história.
Em condições normais de temperatura e pressão, o Palmeiras vence também o
segundo jogo e começa com o pé direito seu trabalho de reformulação de
mentalidade. Com Luxemburgo à frente e uma parceria forte na retaguarda, o
Palmeiras volta a ser aquele time temido, como é de sua tradição desde a
antiga Academia até a era Parmalat. Nos últimos anos, os rivais se
acostumaram a ver no Palmeiras uma espécie de irmão mais fraco, meio provin
ciano, às vezes até meio folclórico com seus times de jogadores medíocres e
dirigentes arcaicos. Parece que esse tempo passou, embora os ares do passado
às vezes retornem com gases misteriosos no vestiário e não menos insondáveis
apagões no estádio – como lembrou Ugo Giorgetti em sua deliciosa coluna de
domingo.
Do lado da Ponte: mesmo que não ganhe o título, como tudo faz crer, fica com
saldo positivo no banco. Montou um belo time, de futebol vistoso e
eficiente. Se tivesse na reta final a pegada que teve no início, talvez a
história fosse diferente. Gostei do trabalho do técnico Sérgio Guedes, uma
cara nova em meio a esses figurões chatos, presunçosos e mal-humorados.
Montou bem o time e motivou de maneira adequada os jogadores. Falou sempre
em tradição e na força da camisa de um clube que, se não contabiliza
títulos, tem muito lastro acumulado – nada menos que 107 anos de história.
Num mundo melhor seria possível pensar que a Ponte Preta iria conservar seus
principais jogadores e se reforçar ainda mais para chegar aos títulos que
ainda não tem. Na vida real, o mais provável é que os destaques saiam para
clubes maiores, talvez até para o exterior, e o trabalho tenha de ser
começado do zero novamente. Os clubes brasileiros e, em especial, os mais
fracos do ponto de vista econômico, são obrigados a reinventar a roda a cada
temporada.

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