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A poupança da bola

Luiz Zanin Oricchio

27 de dezembro de 2011 | 23h15

Considerando que foi a rodada da poupança, até que o futebol jogado não foi
dos piores. Para começar, 33 gols, 3,3 por jogo, boa média para um país que
ainda se considera o melhor do mundo na arte da bola. Mesmo poupando
titulares, o São Paulo fez um ótimo segundo tempo para arrasar o Santa Cruz
no sábado. O Santos jogou 25 minutos para ganhar do Palmeiras no clássico de
domingo. E, mesmo entrando com o time reserva, o Vasco fez o suficiente para
empatar com Fluminense, o carioca que anda jogando bem e bonito e já andou
sendo chamado de time da moda. Já o Corinthians, também na poupança de
jogadores, se deu mal e perdeu em Campinas para a Ponte Preta.
Resultado: mesmo com essa rodada atípica, o Campeonato Brasileiro cumpriu a
tabela com certa graça, enquanto os times se preparam para os confrontos
decisivos na Libertadores e na Copa do Brasil. Evidentemente é muito cedo
para fazer prognósticos (sempre é cedo), mas muita gente já dá os cinco que
lideram a tabela, e mais o Corinthians, um pouco abaixo, como os únicos e
verdadeiros candidatos ao título brasileiro. Assim, os ungidos seriam
Santos, Fluminense, Internacional, São Paulo, Cruzeiro, mais o Timão. Tudo
bem, mas, para falar como Garrincha, será que combinaram com os russos, quer
dizer, com os adversários?
Cabe lembrar que esses mesmos times eram os favoritos no prognóstico da
maioria dos cronistas, antes de o campeonato começar. A exceção é o
Palmeiras, bem cotado no início e agora na posse isolada da lanterna e com
aproveitamento zero no Brasileirão. Repito o que já disse: o Palestra não
tem elenco tão fraco a ponto de estar nessa situação, mesmo que momentânea.
Alguma coisa estranha ocorre com esse time. Tão estranha quanto a declaração
de Edmundo depois do jogo contra o Santos, dando a entender que seus
companheiros estiveram apáticos durante a partida. Não vi isso em campo.
Houve esforço. Acho que mais uma vez o Palmeiras foi vítima da média de
idade elevada da equipe. Como no jogo anterior entre os dois, o Santos soube
cansar o adversário no primeiro tempo e aproveitar-se disso no segundo. O
lance do segundo gol, em que Reinaldo deixou para trás um exausto Gamarra, é
sintoma do estado físico do Palestra.
Por isso é preocupante o segundo encontro com o São Paulo pelo direito de
avançar na Libertadores. Na primeira partida, o Palmeiras conseguiu jogar
com o coração e sustentar o empate que ninguém esperava. Como se comportará
no segundo? Acho, com todo o respeito, que entra como zebra nessa decisão.
Não uma zebra daquelas clássicas, com todas as listas, mas é claro que o São
Paulo tem mais time, joga em casa e é favorito. Na verdade, o Palmeiras só
tem uma chance – jogar com inteligência, raça, dedicação integral. E mesmo
assim é difícil.
A tarefa do Corinthians parece mais realizável. Não será fácil, devido à
catimba (que faz parte do futebol, sim senhor) e também à qualidade técnica
do River. Mas não é impossível achar um golzinho em pleno Pacaembu para
vingar-se de um rival que já o desclassificou na mesma competição e por isso
está entalado na garganta da Fiel. Time por time, sou mais Corinthians. Mas
o futebol, se sabe, não se define apenas pela técnica. Fosse assim, o Real
Madrid não perdia para ninguém.
Já o Santos terá parada indigesta como buchada de bode diante do Ipatinga
pela Copa do Brasil. Os 2 a 1 sobre o Palmeiras podem ter sido a chamada
vitória de Pirro, aquele general da antiguidade que depois da batalha ganha
à custa de grandes perdas disse assim: “Mais uma vitória como essa e estamos
perdidos.”No caso, o custo dos três pontos foi a contusão de Reinaldo. Não
que Reinaldo seja um Pagão ou um Coutinho. Mas jogar precisando de gols, e
depender de Geilson e Magnum, é de tirar o sono de qualquer um. Para os
santistas, recomendo a serenidade de um monge budista amanhã à noite.

2/5/2006

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