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A regra do jogo

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 13h35

Ao contrário do que diz Arnaldo César Coelho, a regra não é clara. E, por não ser clara, além de mal redigida, presta-se a uma infinidade de interpretações. Lembro isso a propósito do lance polêmico da rodada, a falta marcada dentro da área do Vasco e que deu a vitória por 1 a 0 ao Cruzeiro. Foi assim: Wagner deu um chute fraquinho e o goleiro vascaíno, Tiago, abafou a bola com as mãos e deixou-a no chão. Quando foi acossado por um jogador do Cruzeiro, pegou a bola de novo. O juiz Wilson Souza de Mendonça marcou tiro livre indireto contra o Vasco, que redundou no gol de Charles, para o Cruzeiro.
O lance dividiu opiniões. O comentarista de arbitragem da Globo, Renato Marsiglia, disse que foi erro do juiz. Já o presidente da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, concordou com a marcação. O Caderno de Esportes de O Globo deu a manchete: Juiz 1 x 0 Vasco. Já outro comentarista do apito, José Roberto Wright, deu razão ao colega Wilson Souza de Mendonça. O próprio quarto árbitro disse que a falta havia sido marcada porque o Tiago havia retido a bola por mais de seis segundos, o que não ocorreu.
Fui ao livrinho da FIFA. A regra 12 lista quatro situações que devem ser punidas com tiro livre indireto dentro da área. A segunda delas diz o seguinte: “Voltar a tocar a bola com as mãos depois de havê-la posto em jogo e sem que outro jogador a tenha tocado”. Foi isso que aconteceu? Fábio voltou a colocar a bola em jogo? Ou fez uma defesa em dois tempos, como dizem os narradores? No primeiro caso, o juiz está certo; no segundo, está errado. Como o chute foi fraquinho, fico com a interpretação do árbitro.
Agora, os goleiros vivem praticando esse tipo de lance. E ninguém dá nada. Assim como não se dá nada nos já tradicionais agarra-agarras dentro da área por ocasião dos escanteios. Todo juiz adverte que vai marcar, mas acaba fechando os olhos. E, quando um deles dá um pênalti nessas situações é um deus-nos-acuda. Enfim, também no futebol há leis que pegam e leis que não pegam. De vez em quando um juiz decide ser xiita. E então vira uma gritaria, porque o que faz a lei é o costume da sua aplicação e não o texto que está no código. Ou não seria assim? O fato é que as leis do futebol estão sempre sujeitas a controvérsias e interpretações divergentes. Ainda mais as determinações desse tipo, cheias de sutilezas.
O jogão
Deixando as regras de lado, o jogão desta semana será amanhã. Sport x Corinthians, na Ilha do Retiro. Preparando-se para a final da Copa do Brasil, os dois jogaram com times mistos. E ambos ganharam: o Corinthians derrotou o Grêmio Barueri, e o Sport liquidou o em tese poderoso Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo. Ambos chegam com moral à decisão. O Corinthians tem boa vantagem, mas acho que tudo está em aberto. Estive uma vez no estádio e sei que a pressão lá é forte – foi quando o Sport mandou para o espaço o mesmo Palmeiras, pela Copa do Brasil. Ainda acho o Corinthians levemente favorito para ganhar o título. Mas terá de ralar. E, provavelmente, Mano Menezes está certo. Se quiser botar a mão na taça, o Timão terá de fazer pelo menos um gol. Se ficar na defesa para administrar a vantagem pode dar com os burros n’água.

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