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A regra e a exceção

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 13h36

O engraçado é que depois de uma primeira rodada brilhante, a segunda ficou parecendo meio chocha, com alguns times se economizando para disputas mais prementes. Leia-se: Libertadores e Copa do Brasil, ambas em pleno mata-mata, fase da disputa em que qualquer vacilo é fatal. E, assim, o longo Campeonato Brasil pode ser deixado temporariamente em segundo plano por times como Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, São Paulo, etc. Mesmo que entrem com a equipe titular, como foi o caso do Corinthians contra o Botafogo, parece que não estão de todo lá. A cabeça está em outra parte, em outro compromisso, em outra data. E assim, o Campeonato Brasileiro teve, de forma prematura, certo sabor de rotina.
Ora, o que menos combina com futebol é a rotina. Procuramos num campo de jogo justamente aquilo que nos tira da aridez cotidiana. Buscamos paixão, entrega, beleza, emoções. Em suma, queremos a exceção, e não a regra. Daí o gosto requentado de alguns dos jogos que vimos neste fim de semana. Mas nem todos foram assim, afinal. Sem ser uma grande partida, gostei de Internacional x Palmeiras. Até pelo fato de a equipe gaúcha ter começado com os reservas e mostrar por que é considerada uma das favoritas, talvez, “a” favorita ao título. Se com os reservas quase o tempo todo conseguiu bater o Palmeiras completo, o que não faria com a equipe titular? Deu gosto, em especial, ver o futebol desse menino, Taison, uma das boas revelações recentes. Não se vê toda hora uma entortada como a que ele deu no marcador antes de cruzar a bola para o gol de Danny Moraes. E, atenção, ele driblou com total desfaçatez ninguém menos que Pierre, o volante que melhor marca no futebol brasileiro.
Tudo somado, qual o resultado, até agora? Internacional e Vitória dividem a liderança, com 100% de aproveitamento. E o que isso quer dizer? Nada, ou pouca coisa, pois estamos apenas no segundo passo de uma longa marcha, como diria o camarada Mao. Acontece que passos e tropeços serão contabilizados no fim, pois sob o regime de pontos corridos todos os jogos se equivalem. O da primeira rodada vale tanto quanto o da última, os pontos conquistados valem o mesmo num jogo fácil ou num clássico regional de vida ou morte. Por isso mesmo seria interessante que times como o Santos, que irão disputar apenas o Brasileiro, aproveitassem para abrir vantagem enquanto rivais se ocupam com outras disputas. Mas os meninos de Mancini parecem não ter entendido o óbvio. Ou não deixariam escapar com tanta facilidade uma vitória que parecia fácil, em casa, contra o Goiás. Dois pontinhos que vão fazer falta.
Ídolos
Dizem os que chegaram perto de Giselle Bündchen que sentiram um torpor, uma anestesia temporária das funções intelectuais. Ronaldo, presume-se que por motivos diferentes, produz o mesmo tipo de efeito. Antes de vir jogar no Brasil, era figura mais do que controvertida. Chegou, jogou, fez gols, belos aliás, e tudo mudou. Tornou-se unanimidade. Mesmo quando fala platitudes ou besteiras, parece exalar sabedoria. Hipnotiza até pessoas respeitáveis, racionais, inteligentes e experimentadas. Ídolos são assim. Enfeitiçam. A última dele foi dizer que educa o filho na Espanha porque quando o garoto se junta a moleques brasileiros diz muito palavrão. Ora, em condições normais tal afirmação seria recebida com o riso universal. Talvez ainda fosse aceitável vinda de Kaká. Mas, de Ronaldo… No entanto, tal consideração é interpretada a sério, como diagnóstico da completa e irremediável falência moral do País. Francamente…

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