As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A servidão voluntária do futebol brasileiro

Luiz Zanin Oricchio

25 de março de 2013 | 19h42

Claro, a seleção vive um processo de construção. Mesmo assim, é fato que não consegue emplacar um bom resultado contra um time grande. Derrota contra a Inglaterra, empate com a Itália, empate, na última hora, contra a Rússia. É pouco, para um futebol pentacampeão, que vai organizar a próxima Copa. Mas é a realidade do atual futebol do Brasil.

E notem que não falei “futebol brasileiro”. Porque tenho a impressão de que a seleção desistiu de jogar o tal do futebol brasileiro, o nosso estilo, etc e tal. Vamos reconhecer: a última Copa que o Brasil jogou à brasileira foi a de 1982. E não ganhou. Poderia e deveria ter ganhado. Mas não ganhou.

Há muito o futebol brasileiro, através de técnicos como Felipão, Parreira e outros tentam imitar o futebol europeu. Chegam a falar em “futebol mundial”. Seria uma espécie de MacDonald’s do futebol. Um sabor universal. Uma verdade única, inescapável. Já se pensou dessa forma em economia. Pensa-se agora em termos de futebol. No próprio Brasil, a própria crônica, em sua maioria, acha que é assim. Abre uma exceção para o Barcelona, xodó atual, e ponto. O resto tem de jogar do mesmo jeito.

A minha tese é que o Brasil decaiu, desde quando deixou de acreditar em seu estilo. Não tem a coragem de impor um estilo, uma ideia de jogo que já foi invejada mundo afora. Hoje, pelo contrário, fala-se em mandar todos os craques jogares na Europa para que aprendam o verdadeiro jogo. Galvão Bueno foi apenas mais um entre os que verbalizaram esse tipo de ideia. É o Brasil colonial, cheio de complexos, que fala por essas palavras.

Vi vários jogos entre o estilo brasileiro e o europeu. Nem sempre o estilo brasileiro prevaleceu. É da vida. Às vezes ganha um, outras vezes ganha outro. O chato, a meu ver, é a falta de diversidade. A falta de personalidade dos jogadores e treinadores brasileiros, que procuram imitar o que fazem os europeus.

Ora, os europeus nunca tentaram nos imitar, mesmo porque sabiam-se incapazes disso. Usaram o que tinham de melhor para nos vencer: força física e organização tática. Por fim, nos venceram de maneira definitiva (pelo menos até agora) através do seu maior trunfo: a força da grana. Transformaram-se na meca absoluta do futebol e recolonizaram corações e mentes. Essa é sua maior vitória. À qual nos submetemos, vira-latas que somos.

É a maior prova da nossa servidão voluntária: queremos adaptar o nosso jogo ao deles. Não vai dar certo.

Tudo o que sabemos sobre:

futebol

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.