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Adeus a Zito

Luiz Zanin Oricchio

15 de junho de 2015 | 10h06

Soube agora de manhã da partida do grande Zito, aos 82 anos. José Eli de Miranda, o Zito, era ninguém menos que o capitão daquele esquadrão do Santos Futebol Clube do início dos anos 1960, cuja formação canônica era Gilmar, Mauro, Dalmo, Lima, Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Repito essa escalação com a familiaridade com que um católico praticante recita o Pai Nosso. Foi o maior time de todos os tempos. E, nele, mandava Zito.

Mandava até em Pelé. E como não mandaria, com seu carisma, liderança e muita bola nos pés? Era mais velho e titular quando chegou à Vila aquele molequinho mineiro, vindo de Bauru, apelidado Gasolina e que viria a ser Pelé. Juntos, e com todos os outros, fizeram história, a mais linda história de todos os tempos. Agora, o tempo os está levando, um a um. Já se foram, daquele time, Gilmar, Mauro, Calvet e Dalmo. Agora vai o Zito.

“O moço de Roseira”, como o chamava nas narrações Fiori Gigliotti, também fez história na seleção brasileira, sendo bicampeão do mundo, em 1958 e 1962, tendo ainda jogado na seleção de 1966, na Copa da Inglaterra, quando fomos eliminados por Portugal.

Quer dizer, o “seu”Zito, como respeitosamente o chamávamos quando o víamos na Vila, foi simplesmente bicampeão do mundo pela seleção brasileira e pelo Santos Futebol Clube. Nada mau, não é?

Tive o prazer de conhecê-lo na Vila Belmiro, onde tinha cadeira cativa e não perdia um jogo. Fazia parte da diretoria e foi responsável, pelo que me consta, das divisões de base, essa joia da tradição santista, time que revela, mas não mais segura seus ídolos. Era resmungão e mantinha aquele grau de exigência de quem tinha sido craque e jogara entre os maiores da sua época. Vale dizer que, naquele tempo, o Brasil, de fato, era o país do futebol e praticava o melhor futebol do mundo.

No tempo em que a bola era muito bem tratada entre nós, Zito destacou-se pela liderança e pela categoria. Foi um volante duro, mas que jogava o fino. A garra não contradizia a técnica. Ambas podem e devem coexistir. Zito determinava o centro de gravidade daquele grande Santos e também da seleção brasileira nas duas vezes em que a defendeu. Foi um gigante.

Vai em paz, Capitão. Muito obrigado por tudo.