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Afinal o campeonato é bom ou não?

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 13h42

A oito rodadas do fim – e sem termos a menor ideia de quem será o campeão – já deveríamos nos fazer a pergunta acima. Afinal de contas, esse campeonato brasileiro, tão cheio de incertezas e marcado pelo sobe e desce, deve ser considerado de bom nível ou não?
A resposta, como quase tudo nesta vida, depende do ponto de vista do observador. Se você é torcedor de um dos cinco (ou seis, ou sete?) times ainda com chances de título, não tem do que se queixar. É provável que tenha emoção garantida até às últimas rodadas. Talvez até à última.
Na ponta de baixo, a mesma coisa, só que com o sinal trocado. Quem faz parte das torcidas dos sete (ou oito?) ameaçados terá o que temer até os últimos jogos. O medo é um sentimento negativo, mas, que diabos, é um sentimento afinal de contas, e talvez melhor do que a indiferença. Esta está reservada à turma do meio, que não aspira a título e nem sofre ameaças de degola. Disputa vagas na Sul-Americana, um torneio meio anódino até que descobriram o óbvio e passaram a dar ao campeão uma vaga na Libertadores do ano seguinte, o que aumentou muito o seu interesse.
Pense no Campeonato Brasileiro e depois o compare aos europeus, nos quais dois ou três times, no máximo, podem ser apontados como os prováveis campeões já no início da temporada. Chato, não é? Eu, pelo menos acho. Como todo mundo, admiro o Barcelona e tenho certeza de que é o melhor time do mundo. Mas não seria mais interessante se encontrasse alguma resistência pela frente, além da do Real Madrid?
Enfim, essa incerteza é o que faz o charme do Campeonato Brasileiro. A cada ano, ao começar a temporada, fazemos nossas apostas, mas, no fundo, sem a menor ideia do que estamos fazendo, pois, como sabemos, tudo se altera no decorrer da competição. Esse é o lado bom: não há tédio no Campeonato Brasileiro. Mas isso basta?
Aí é que a coisa começa a fazer água. Se afirmamos que o campeonato é muito bom, por que não conseguimos dizer até agora qual é o melhor time? Algum deles nos encanta, de fato? Acho que não. Será muito comodismo, depois que tivermos o campeão, dizermos que “ele mereceu, foi de fato o melhor, esteve acima dos outros, etc.” Papo furado.
A mesma pergunta deve ser feita a respeito dos jogadores, individualmente. Qual é o craque do ano? Neymar, que carrega o Santos nas costas? Mas como dar a palma ao atacante de uma equipe que vegeta na parte de baixo da tabela, time sem ambições no campeonato e sem vontade de jogar? É difícil. Ronaldinho Gaúcho que, sem ser convincente o tempo todo, reencontrou (em parte) o bom futebol? Só se ele for decisivo para o Flamengo nas partidas que restam e levar o seu clube ao título. Lucas, cujo futebol desceu pelo ralo, junto com o do seu time? Diego Souza, do Vasco? Também vai depender das partidas finais e do sucesso da equipe. E se o Corinthians for campeão, qual dos trabalhadores do elenco vai virar operário padrão e ser eleito como o melhor do campeonato?
E qual o melhor técnico do ano? Muricy, que ganhou a Libertadores, mas não soube preservar o time da desmotivação? Tite, que esteve perto de ser defenestrado e sobreviveu para vencer? Ricardo Gomes, numa espécie de homenagem à resistência? Luxemburgo redivivo, para desmentir quem já não acreditava nele? Caio Jr., para fugir da mesmice?
O fato de não termos respostas para essas perguntas dá uma indicação do nível do campeonato. Podemos ver também aí mais um índice de emoção, fruto da indefinição. A incerteza pode nos beneficiar. Ou também pode mostrar que oscilamos demais. Depende de como vemos o copo: meio vazio ou meio cheio? Minha resposta provisória: o campeonato é bom, mas poderia melhorar e muito.

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