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Agora a situação é crítica

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 13h43

Semana passada escrevi neste espaço pedindo paciência com Mano Menezes. Continuo com a mesma opinião. É preciso dar tempo ao tempo, para que as coisas se ajustem. No entanto, é preciso reconhecer que, depois do sofrido empate com o Paraguai, a situação agravou-se. O Brasil depende apenas de si. Mas pelo que tem jogado, ninguém pode garantir que vá passar com facilidade pelo Equador. O time está naquela situação em que não existem adversários fáceis. Todos podem complicar, o que é mais um dos sintomas da instabilidade.
Pedi serenidade em relação a Mano porque entendo que o treinador é figura importante na montagem e desempenho de um time. Estou longe de concordar com aquela frase de que técnico bom é aquele que não atrapalha. Pelo contrário. Acho que os treinadores têm papel fundamental no desenho final das equipes. Não acredito é em milagreiros. Nesse ponto, sou cético. Treinador bem sucedido é aquele que consegue tirar o melhor do elenco que tem. É, para usar a frase manjada, aquele que consegue cozinhar a melhor omelete com os ovos disponíveis.
Agora, o que dizer do treinador de uma seleção brasileira, aquele que dispõe de todos os jogadores nascidos no país, atuem eles por aqui ou no exterior. É, teoricamente, um universo de convocação muito grande. Ainda mais se formos acreditar naquele outro chavão, o que diz que “aqui brotam talentos”. Certo. Mas nada mais duvidoso do que acreditar de maneira cega em clichês.
Por exemplo, se você quiser um meia armador, quem vai encontrar além de Paulo Henrique Ganso? Ninguém. Se Ganso estiver em má fase, ou machucado, quem o substitui? Ninguém, porque não existe outro disponível para a função, pelo menos no mesmo nível do santista. O mesmo se pode dizer do outro jogador do Santos, Neymar, que também não correspondeu, na seleção, às expectativas nele depositadas. O que é que há, Neymar, está ainda de ressaca do título da Libertadores? É o que a torcida se pergunta. E, mais do que a torcida, Mano Menezes, que depende dos jogadores para fazer uma boa figura na Argentina e se manter no cargo até a Copa de 2014.
Pois é aí que está a questão: para montar o seu time, Mano depende não apenas do seu talento individual como estrategista, motivador ou o que for; depende de jogadores que executem em campo o que ele prega nos treinos. E, pelo visto, até agora tem pregado no deserto. O segundo tempo contra o Paraguai, por exemplo, foi lamentável. Até sair o gol de Fred, o Brasil havia chutado uma única bola em gol, se não me falha a memória. Muito pouco para um ataque com nomes estelares como Neymar e Pato, municiados por PH Ganso. Jogador é gente. Mas esse pessoal é cotado na base de dezenas de milhões de euros. Pode? Valem tudo isso? Ou o futebol é mesmo o reino da fantasia? Você decide.
Daí porque é preciso tirar um pouco da pressão de cima do técnico e ver que os jogadores não estão fazendo a sua parte. Hoje em dia é de mau tom dizer que não se esforçam na seleção como em seus clubes. Parece um argumento fútil, descartável, coisa de torcedor em mesa de botequim. Mas o que acontece quando a crítica parte do interior mesmo do grupo? Afinal, Lúcio, capitão do time, do alto da sua raça e experiência, foi quem disse que é preciso mais comprometimento. “Não basta ser genial”, esbravejou, “é preciso dar alguma coisa a mais”, em claro recado aos colegas mais jovens e já devidamente portadores de máscaras pesadas.
Nem tudo está perdido, e a Copa América não é também uma prioridade nacional. Ninguém vai fechar a Avenida Paulista para festejar em caso de vitória. E também ninguém vai perder o sono se o título não vier. Basta não dar vexame. E mostrar futebol melhor. Sendo o mundo da bola o que é, o fiasco de sair na primeira fase pode comprometer todo o trabalho visando a Copa do Mundo. Daí a importância do jogo contra o Equador. Jogo perigoso.

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