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Ao vencedor as batatas

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h36

22/4/2008

Não sei (ninguém sabe) como vai terminar o Campeonato Paulista. Mas que as
semifinais já valeram a pena, quanto a isso não há dúvida. Há quem diga que
Ponte 2 x Guará 1 foi o melhor jogo do campeonato, pela emoção, técnica e
futebol ofensivo apresentado. Se não foi o melhor, foi um dos melhores. E
Palmeiras 2 x São Paulo 0 também foi uma delícia de se assistir. Desde que o
espectador não fosse são-paulino, é claro.
Com Ponte e Palmeiras disputando a final, cabe projetar. Quem é o favorito?
Vamos ser claros: seria hipocrisia ignorar que o Palmeiras tem mais chances.
Por diversos motivos. Primeiro, porque precisa de dois resultados iguais.
Segundo: jogador por jogador, tem mais time, fruto de investimento maior.
Além disso, apesar do ótimo trabalho de Sérgio Guedes, Luxemburgo ainda faz
a diferença, coisa que nem sempre se está disposto a admitir dado o número
de antipatias que ele angariou na mídia esportiva. Por fim, a Ponte entra
muito desfalcada, em especial para o primeiro jogo, em casa, quando
precisará fazer a vantagem para depois decidir no campo do adversário.
Perdeu o volante Elias e o meia Renato, além do lateral Eduardo Arroz,
suspenso. Ausências consideráveis.
Com tudo isso a favor, ainda acho que o Palmeiras terá de ralar como gente
grande para despachar a Ponte. Isso significa levar a decisão muito a sério,
e a partir do primeiro jogo, provavelmente no Moisés Lucarelli. Se deixar
para resolver no Parque Antártica, poderá correr riscos. Mesmo porque,
apesar dos desfalques (alguns deles voltam para o segundo jogo), a Ponte
está longe de ser um time fácil de se bater. Sem falar no Aranha, que está
pegando tudo. Uma coisa se sabe: será decisão entre times que gostam do
futebol bem jogado e tratam a bola com carinho. Lucro certo para todos nós,
vença quem vencer.
ESTILOS
Um personagem de Machado de Assis usava sempre a seguinte frase: “Ao
vencedor, as batatas.” Queria dizer que quem ganha tem todas as razões e, a
quem perde, só resta chiar. Digo isso, porque, depois da derrota, já começou
o falatório acerca das limitações de Muricy Ramalho e sua maneira monocórdia
de jogar. Bem, até agora ela vinha dando certo, embora todos notassem que o
São Paulo já não tinha a mesma consistência do ano passado. Já havia uma
certa “fadiga do material” detectável no Tricolor, que precisa se reciclar,
mas não necessariamente trocando de treinador. Muricy é resmungão e
competente. Monta o time com o que tem, como todos.
Agora, também era fácil de ver que Luxemburgo havia criado um time de
características bem diferentes. Maleável, versátil, com a bola correndo mais
pelo chão, de pé em pé, do que pelo alto. Um time possível também em função
dos jogadores que trouxe e se adaptam bem a esse esquema. Não por acaso,
Luxa se diz inspirado pela seleção de 1970 e pelo Flamengo campeão do mundo.
Times que tinham volantes de categoria (e não meros marcadores), grandes
meias e jogavam sem centroavantes fixos, postados dentro da área. Isso não é
dogma. Apenas um estilo que fez sucesso em sua época, e se impôs como modelo
porque venceu. É mais do que legítimo inspirar-se nele. E, cá entre nós,
esse é o futebol que amamos e não aquele eterno chuveirinho sobre a área,
que parece futebol alemão ou inglês. Ou pelo menos como eram essas duas
escolas antes da globalização da bola.

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