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Aos craques que estão de volta

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 23h53

Amigos, o futebol brasileiro nos reserva surpresas incríveis. Eu achava já bastante interessante que Rivaldo, o grande craque da Copa 2002, fosse presidente e jogador de um mesmo clube, o Mogi-Mirim, pois poderia pôr em prática a frase antológica de Neném Prancha, o maior filósofo da bola: “o pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”. Pois bem. Não teremos a oportunidade de ver a tese de Neném realizada na prática porque Rivaldo jogará pelo São Paulo e não pelo Mogi. Continuará presidente? Não parece estranho um jogador atuando por um clube e presidindo outro?

Mas, quer saber? Estou muito curioso para ver Rivaldo na equipe do São Paulo. No Mogi, ele seria o salvador da pátria, literalmente o dono do time, aquele que joga por todos.
Tarefa ingrata, ainda mais para um veterano. No Tricolor, em time estruturado, cercado de bons jogadores, poderá mostrar se ainda conserva aquela lucidez, o toque refinado que mostrou em seus melhores tempos. Aposto que será a cereja no bolo. Aquele que dará dois ou três toques decisivos durante um jogo, fazendo a diferença com sua categoria. No futebol, cada vez mais dependente da parte física, 38 anos pesam. Mas a técnica não se desgasta com o tempo. Apura-se. Acho que Rivaldo não esqueceu como se joga bola em sua passagem pelo Uzbequistão e ainda guardou algumas cartas na manga para botá-las sobre a mesa em tempo oportuno.

Não deixa de ser curioso, e até comovente, ver reunida no Brasil boa parte da seleção que nos deu o quinto título mundial. Ronaldo e Roberto Carlos no Corinthians, Ronaldinho no Flamengo, e, agora, Rivaldo no São Paulo. Nenhum deles jogava em clube brasileiro na época da Copa de 2002. Ronaldo estava na Inter de Milão, Rivaldo no Barcelona, Ronaldinho no Paris Saint Germain, Roberto Carlos no Real Madrid. Brilharam na Europa, ganharam todo o dinheiro que o futebol pode proporcionar, e agora retornam ao país de origem, como se tivessem cumprido um período de exílio e voltassem como filhos pródigos. Vários outros jogadores dessa conquista estão por aí. Marcos e Rogério Ceni, que nunca saíram. Juninho Paulista é dirigente do Ituano, Denílson é comentarista de TV. E vai por aí.

Fico fascinado por esses jogadores que voltam, depois de findo o seu período de estrelato no Primeiro Mundo. Alguns com idade avançada, ou com problemas físicos, outros desiludidos e saudosos, chegam e desmentem os críticos mais pessimistas. Ronaldo veio a ser decisivo em 2009 e impõe respeito com sua presença. Roberto Carlos é o melhor lateral-esquerdo em atividade (falhou no domingo, todos falham). Agora, Rivaldo e Ronaldinho. Além do que podem fazer em campo, o fator marketing é soberano. Ídolo em casa, transformado em ícone publicitário, é dinheiro em caixa. O futebol hoje é isso. Mas, claro, há o jogo e, no gramado, esses velhos mestres ainda têm o que mostrar.
Acima de tudo funcionam como referência para as torcidas. Será que têm ideia da responsabilidade que assumem perante torcedores carentes de ídolos? Não sei. Espero que sim. Senhores boleiros veteranos, sejam bem-vindos à casa, mas não decepcionem suas torcidas. A mística do futebol depende da magia que só a presença de vocês, craques, proporciona. Mesmo o marketing depende disso, não esqueçam.

Me engana…

Qualquer análise do Campeonato Paulista 2011 passa por uma obviedade: este novo sistema foi feito para classificar todos os grandes e mais quatro (ou três, se considerarmos que a Portuguesa ainda faz parte do primeiro grupo) convidados para os play-off. É o problema de campeonatos disputados fora do sistema de pontos corridos. Proporcionam jogos finais emocionantes, mas o preço a pagar é uma série de partidas iniciais que não valem rigorosamente nada. Troca-se um desfecho emocionante por uma primeira fase mais do que previsível. Será que vale a pena?

Boleiros, 25/1/2011

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