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Apenas o começo *

Luiz Zanin Oricchio

03 de fevereiro de 2015 | 14h06

Os quatro grandes venceram. E todos marcaram três gols em seus jogos, o que deve ser uma tremenda coincidência histórica. Como não sou numerólogo, o que me interessa é constatar que Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos venceram seus jogos com relativa facilidade. Sem grandes esforços, a não ser o São Paulo que penou com o calor de Penápolis, mais que com o time adversário. O que dá a tônica deste Campeonato. Os grandes devem decidir entre si, com uma ou outra “intromissão” de algum time do interior. De vez em quando dá zebra, como deu ano passado, quando o Ituano se sagrou campeão diante do Santos. Acontece, ainda mais nas exdrúxulas fórmulas inventadas pela Federação Paulista.

Quis o destino que o mesmo Ituano fosse o adversário do Santos na estreia do time. Um volta complicada para o time da Vila, com o clube com sérios problemas de caixa, tendo perdido vários jogadores que recorreram à Justiça cobrando salários atrasados, etc. Esperava- se talvez menos do Santos neste jogo, mas o time entrou em campo com boa disposição, veloz, e ganhou com três belos gols, dois deles de Geuvânio, um dos “meninos da Vila” que permaneceram.

O futebol é pai. E a vitoria tudo absolve. Por isso, já deve ter gente pensando que a crise na Vila não é tão séria assim, que o Santos tem ainda uma base sobre a qual encaixar as revelações que por certo virão, como tem sido sua tradição. Ok. Pode até ser. Mas, se eu fosse dirigente do Peixe, não deixaria barato e investigaria até o fim onde foi parar a grana de tantas vendas de jogadores e por que um clube desse porte foi entregue à diretoria seguinte em situação falimentar. Em campo, tomara que as coisas se ajeitem e o Santos tenha um ano menos tenebroso do que se supunha.

Corinthians e São Paulo começaram bem, mas logo terão de se preocupar também com a Libertadores, o que sempre divide esforços. Aliás, o Corinthians já começa amanhã o desafio com o Once Caldas. Com a lembrança do Tolima sempre presente, não deve relaxar e dar chance para o azar.

Já o Palmeiras aparece na mesma situação do Santos e terá apenas o Paulista para se dedicar neste início de temporada. Ao contrário do seu “co-irmão” da Baixada, começa o ano de maneira exuberante. Se um perde jogadores importantes, o outro contrata. Aliás, duas baixas do Santos significaram dois reforços para o Palmeiras – Aranha e Arouca. Juntam-se a várias outras contratações do alviverde, que, depois de escapar do rebaixamento no Brasileiro ano passado, entra em 2015 todo prosa. De casa nova, time novo e torcida em festa. Tomara possa aproveitar a boa fase e deixe quieta a turma do amendoim, famosa por sua falta de paciência.

Esses primeiros movimentos do Campeonato Paulista não costumam ser mesmo empolgantes. A disputa esquenta nos clássicos e nos jogos finais. E, dessa forma, tanto o Paulista quanto os outros campeonatos estaduais vão sobrevivendo, por mais que digam que já não têm razão de ser no mundo moderno.

Claro, ninguém é trouxa, e todo mundo sabe que são mantidos também por razões políticas. Mas não se deve desconhecer dois motivos fortes para continuarem vivos – as rivalidades regionais e a tradição. São as disputas estaduais que colocam os rivais mais próximos frente a frente e portanto despertam a paixão clubística. Quanto à tradição, nem é preciso dizer: num país do tamanho do Brasil, as disputas regionais são as mais antigas, porque foram as mais viáveis quando o futebol ainda engatinhava e os transportes ainda eram incapazes de unir o país. Apenas para falar do Paulista: o torneio é o primeiro campeonato organizado no Brasil e data de 1902!

A maior parte das pessoas que hoje curte futebol se iniciou nesse esporte pela disputa dos Estaduais. Se eles perderam importância diante da profusão de disputas do ano, o Campeonato Brasileiro, a Libertadores, a Copa do Brasil e a Sul-Americana, ainda representam muita coisa em memória afetiva para os torcedores, em especial para os mais rodados. Quando o público se desinteressar de vez, os Estaduais morrerão de morte natural. Mas eu não contaria com isso.

 

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