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Carnaval e futebol: tudo a ver

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 22h27

Amigos, antes do jogo Santos x Rio Claro, uma pessoa querida me disse: “Num domingo de carnaval não vai dar nem 5 mil pessoas no Pacaembu. ” Foram 32 mil. 32 mil e uma – talvez algum solitário torcedor do Rio Claro. O resto da galera foi ver o Peixe de Neymar, Ganso e Robinho. Já faz alguns anos que o Santos vem jogando em São Paulo durante o carnaval. Sempre com bons resultados. Mas, claro, no domingo foi excepcional, com Robinho pela primeira vez começando a partida.
Nem é preciso grande esforço de imaginação para explicar esse sucesso de público. É claro que a torcida santista da capital costuma prestigiar o time. Mas a presença do ídolo fala por si. Tem sido assim com Ronaldo no Corinthians, com Adriano no Flamengo etc. Quando o jogador conhecido volta, as bilheterias incham. Torcedor de futebol é como o de carnaval – quer ver brilho e purpurina. Quer beleza. Para isso sai de casa e paga ingresso. Sem essa atração, sobram futebol os frequentadores de sempre no estádio – torcidas organizadas e aficcionados que vão a campo ver seu time, esteja ele como estiver. Se quiser conquistar mais torcedores, os times têm de oferecer algo a mais. As purpurinas do futebol são os craques em campo. É simples assim. Para ter rotina, mais do mesmo, fica-se em casa. A ideia de que o torcedor vai sair de sua casa para prestigiar o
“bom e barato” só pode ter passado pela cabeça de uma diretoria provinciana como foi a do Palmeiras de alguns anos atrás.
Para ser justo, aquela diretoria do Palmeiras apenas verbalizou o que outras pensam, querendo enfiar times medíocres goela abaixo da torcida. O Santos hoje está badalado. Se ganhar algum título, mesmo que seja o Paulista, vai virar o time da moda. Mas até o ano passado, embora já contasse com alguns dos seus astros, era um time difícil de ver jogar. Duro, travado, preguiçoso. Mudou. Os garotos soltaram-se e Robinho veio, como a cereja no bolo. Dizem os colunistas que o Santos é o time que mais dá gosto de ver jogar, mesmo que não repita grandes atuações, como ficou claro com a dificuldade que teve para vencer o fraco Rio Claro.

Em todo caso, o futebol que dá mais prazer é aquele que se assemelha ao carnaval como expressão da alegria. Sendo da folia ou não, todos imaginamos a quantidade de trabalho que custa para botar uma escola na avenida. É preciso planejamento e investimento. Um carnavalesco criativo, um bom samba, tradição, destaques. Para exprimir a espontaneidade, é preciso um tremendo trabalho de organização nos bastidores. Mais ou menos como no futebol. É preciso investimento, treino, aquilo que os boleiros chamam de “estrutura”, planejamento, cuidado com o aspecto financeiro, etc. Num caso como no outro: se não houver talento, a imponderabilidade do talento, nada feito. Pode até funcionar, de maneira burocrática. Ser certinho, bonitinho, agradável, correto e até ganhar campeonatos ou a nota máxima dos jurados. Sem a centelha do imprevisível, sem aquele drible inesperado, sem a firula de uma passista, nada feito. Vivemos disso. Desses momentos de beleza.

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