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Certeza da dúvida

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 21h54

Mal começou o campeonato e já entramos na fase das grandes generalizações. Contraditórias, como convém a tudo o que envolve o futebol. O campeonato será ótimo porque muitos craques, em especial artilheiros, permaneceram por aqui. Ou será insignificante porque campeonatos regionais já não têm razão de ser no mundo contemporâneo.

Se o São Paulo tropeça é porque, no fundo, o Paulista não passa de um laboratório, no qual Muricy ajusta as “peças” para o que realmente interessa, a Libertadores.

Se o Palmeiras surpreende é porque, afinal, ninguém monta um time como Luxemburgo, diga-se o que se quiser. E não é que ele deu jeito até em Lenny que, de “pé-murcho” no ano anterior, foi promovido a matador em 2009? O Palmeiras joga um futebol para frente, bossa nova, afinado com a modernidade da nova direção, com um intelectual como Luiz Gonzaga Belluzzo no comando.

Se o Santos já caiu para a zona intermediária é porque, apesar de ter contratado bem, ainda se atola no pântano do continuísmo. Além disso, Márcio Fernandes não tem peso no currículo para assumir um time de primeira linha, por mais que conheça os bastidores da Vila.

Já o Corinthians pode não ter encantado, mas vem com força da Segundona, começou a pré-temporada antes dos outros grandes e vai colher os frutos desse planejamento. Sem contar que o grande trunfo, Ronaldo, quando estrear fará a diferença. Afinal, não é sempre que um dos maiores artilheiros de todos os tempos se dispõe a voltar ao Brasil e disputar um torneio regional, mesmo sendo o mais rico do País.

Tudo isso já ouvi por aí e eu mesmo poderia ter escrito algumas dessas frases. Acontece que também se pode dizer o contrário, sem grandes problemas. Por exemplo, quanto ao Paulista. Não somos nós quem iremos decretar que ele será sublime ou medíocre. Quando ele deixar de interessar às pessoas irá desaparecer como escola de samba na dispersão. A imagem é interessante. Num momento você tem um todo vistoso – a escola, em seu conjunto. Então termina o desfile, a passista encontra o namorado, o tocador de tamborim para num bar para tomar uma cachaça, o destaque vai para o camarote, o mestre-sala e a porta-bandeira voltam para casa e, de repente, a escola não existe mais. Sumiu. É o que vai acontecer com o Campeonato Paulista se e quando cair no desapreço popular. Enquanto houver gente que o ame, vai continuar.

Quanto aos times, a mesma coisa. O São Paulo, como instituição, pode se interessar ou não pelo Paulista, mesmo porque está brigado com Marco Polo del Nero. Mas a melhor frase a respeito foi dita por Muricy: “O Paulista não interessa para quem ganha, mas interessa muito para quem perde”. Causa crises, derruba técnicos, pode trazer fama ou desgraça para um jogador.

Por falar em fama, desgraças e outros exageros, não parece muito precipitada a euforia com o Palmeiras? Sim, fez 100%, mas são só quatro jogos e muita água ainda vai correr. Lenny, de genioso a genial, motivou outra frase inspirada de técnico, desta vez de Luxemburgo: de menino criado por avó virou moleque de rua. De bobinho a malandro. A imagem é boa. O mesmo se pode dizer de Corinthians e Santos. Tudo é muito prematuro, tanto a aparente solidez de um como a fragilidade de outro. Melhor esperar.

Tudo ainda está por ser feito e só tenho uma convicção: no final, nossas impressões iniciais, que tendemos a transformar em certezas, serão desmentidas pelos fatos. E aí é que está toda a graça da coisa.

(Coluna Boleiros, 3/2/09)

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