As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Chicão

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 21h14

8/10/2008

Ninguém vai dizer que Chicão, que morreu hoje com 59 anos, era um volante clássico. Não era. Sua característica maior era mesmo a raça. “Chegava junto”, como recomendava mestre Brandão em eufemismo famoso.

Mas também sabia jogar bola. Tomava conta do meio de campo e impunha respeito, o que facilitava muito a vida da zaga. Há quem torça o nariz para o que vou dizer, mas acho que todo time tem de contar com um jogador como ele, com “atitude”, como se diz hoje em dia. Faz o adversário pensar duas vezes antes de cometer besteira e impõe respeito aos próprios companheiros.

Acho que o São Paulo deve a ele, em boa parte, o título de campeão brasileiro de 1977. Me lembro desse jogo como se tivesse acontecido ontem. O Atlético Mineiro era muito, mas muito superior, mas não conseguiu se impor, mesmo jogando no Mineirão. O jogo terminou empatado, foi para os pênaltis e o São Paulo venceu.

Chicão jogou também pela seleção na Copa de 1978, na chamada “batalha de Rosário”, contra a Argentina. Foi um gigante em campo e Mário Kempes passou o jogo se escondendo dele. Tenho para mim que, se o Brasil tivesse forçado um pouco, teria vencido aquele jogo e eliminado a dona da casa, que acabou campeã. Não o fez por timidez, preguiça, medo tático, essas coisas. Empatou e deixou a incumbência de eliminar a Argentina para o Peru, com o resultado que se conhece.

Enfim, Chicão deixa lembranças no futebol brasileiro. Futebol que não é feito apenas de craques, mas também de valentes.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: