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Como anda o nosso futebol?

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 20h32

12/6/2007

Nelson, meu colega na ginástica matinal, veio se queixar: “O futebol está
muito chato!” Será que ele tem razão? Bom, podemos dar um desconto, afinal o
Nelson é são-paulino fundamentalista e o time dele não anda lá muito bem das
pernas. Mas qual dos times vai bem?
Se ficarmos só no futebol paulista, a situação parece desoladora. São Paulo
e Palmeiras não se acertam e, com os dois resultados dessa rodada, vêem-se à
beira da primeira crise do ano. Muricy e Caio Jr. já são olhados com
desconfiança, pois técnicos são os bodes expiatórios à mão. Fica mais fácil
para as torcidas e dirigentes praticar tiro ao alvo com o treinador do que
encarar a dura realidade de elencos frágeis e administrações incompetentes.
O Santos está pior ainda. Desclassificado da Libertadores (certo, em jogo
épico, com o time aplaudido até pela exigente torcida da Vila Belmiro),
repousa agora na zona de rebaixamento. Pior: perdeu para a Europa seu melhor
jogador, Zé Roberto, e vai ficar mais de mês sem Kléber e Maldonado por
causa da Copa América. No momento em que precisa reagir no Campeonato
Brasileiro, a estrutura do conjunto vai para o espaço. Vanderlei Luxemburgo
já fala em “reconstruir” a equipe. São os verbos que ele mais usa,
“construir” e “reconstruir”, porque o time nunca está pronto, já repararam?
Qual o único paulista em boa fase? O jovem Corinthians, que depois de mandar
embora os medalhões Carlos Alberto e Roger tem conseguido resultados com um
time de meninos. Até onde pode ir esse Corinthians adolescente, em especial
durante o tempo em que ficar sem o seu homem de criação, o promissor
Willian, que também vai para uma dessas seleções da vida, sub sei lá o quê?
Corinthians, Santos, São Paulo, Palmeiras – todos eles vão ser desfalcados
pelas seleções. É a vida: quem tem algum jogador bom, ou mesmo razoável, irá
perdê-lo, seja por convocação, seja porque vem aí o bicho-papão da janela
européia de contratações. Se bem que, exaurido do jeito que anda o futebol
brasileiro, quem sobrou aqui para tentar o mercado do Primeiro Mundo? Alguns
jovens, como Pato, Carlos Eduardo (do Grêmio) e Lucas (este já vendido para
o Liverpool), Willian, talvez Lulinha, e poucos outros. O futebol brasileiro
é terra arrasada, poço seco.
E então começamos a entender a bronca do Nelson. Não é apenas o time dele
que vai mal: é que raramente nos é dado assistir a uma partida e comentar
depois com os amigos “mas que jogão de bola!” Somos todos torcedores e
sabemos como é: quando o nosso time ganha, o mundo parece maravilhoso, um
caminho de rosas, como naquela canção francesa. Pergunte ao corintiano, ao
gremista, ou mesmo ao vascaíno e ao botafoguense se eles acham que o futebol
anda chato. Mas também precisamos ter senso crítico e saber que está cada
vez mais difícil ver no Brasil uma partida técnica, bem jogada.
OS JOGADORES E A SELEÇÃO
Primeiro, os pedidos de dispensa de Kaká , Ronaldinho e Zé Roberto. Agora, o
braço-de-ferro entre Real Madrid e a CBF, tendo Robinho como pivô. É mais um
capítulo do envenenado relacionamento entre clubes, de um lado, e seleções e
a Fifa, de outro. Deve-se lembrar que o sonho da Uefa é substituir a Copa do
Mundo por um milionário campeonato interclubes. Seria o corte definitivo dos
já frágeis vínculos dos jogadores com seus países de origem.
Alguns torcedores já se queixam de que o campeonato anda muito chato

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