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Copa do Mundo 2018: a nossa bola de cristal está sempre embaçada

Vamos convir: em relação ao futebol (e a outras coisas também), a nossa capacidade de previsão é nula, ou algo perto disso.

Luiz Zanin Oricchio

10 Julho 2018 | 14h09

 

Vamos convir: em relação ao futebol (e a outras coisas também), a nossa capacidade de previsão é nula, ou algo perto disso.

Nas semifinais que começam daqui a pouco, apenas a França, que figurava como uma das favoritas, está presente. A Bélgica era tida como uma possibilidade, em face de sua melhor geração. Mas ninguém levava muito a sério pela falta de tradição. A Inglaterra tinha um time jovem demais para se arvorar a candidata e a Croácia não passava de um azarão.

Dos favoritos, mesmo, já foram embora Alemanha, Espanha, Argentina, Brasil. Todos com graus diferentes de vergonha. O pior caso, claro, foi o da Alemanha, atual campeã e última colocada no grupo. Desclassificada pela Coreia do Sul. Quem apostaria nisso antes de a Copa começar?

Os craques mais badalados já todos foram embora: Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar. Ficam os emergentes, o principal deles o garoto francês Mbappé.

Se o futebol é mais racional num campeonato de pontos corridos, num torneio de tiro curto como a Copa é sujeito a intercorrência de mil fatores e do acaso. Uma má escalação, o craque num mau dia, o goleiro que franga ou, ao contrário, o goleiro do outro time, que pega tudo. Fica mais fácil prever os rumos da economia no Brasil que os de uma Copa do Mundo.

Como a seleção brasileira saiu sem grande vexame, perdendo apenas por 1 a 2 (ao invés dos vexaminosos 1 a 7) fomos mais complacentes. Talvez complacentes demais. O Brasil realizou dois maus jogos (Suíça e Costa Rica), um médio (Sérvia) e um bom (México). Tivemos a ilusão de que a seleção estava crescendo e se solidificando. Eu mesmo escrevi isso.

Se estava, não mostrou isso contra a Bélgica. Tomou um gol e entrou em parafuso. Quando se aprumou, perdia de 2 e já era tarde. Não conseguiu reverter.

Estamos todos bonzinhos e afirmando que o trabalho deve seguir e preparar o futuro. Como se alguém, à esta altura, já estivesse de fato (e não de mentirinha) pensando na Copa do Catar de 2022. Como dizia Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos.

Quando sair a classificação final da Copa de 2018 veremos que o Brasil ficou em posição inferior à da desastrada Copa de 2014. Justifica-se a nossa complacência? Ou talvez devêssemos pensar em outro modelo? O que dará certo, a continuidade nessa toada ou uma ruptura?

Não sabemos.

Não sabemos nada.

Mas temos a obrigação de tentar acertar e fazer o melhor.

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