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Copa do Mundo 2018: A seleção vai ficando cascuda?

O Brasil suou para vencer a Costa Rica. Mas talvez a vitoria difícil tenha contribuído para dar consistência ao grupo

Luiz Zanin Oricchio

22 Junho 2018 | 12h39

 

Coloco a interrogação após a dura vitória de 2 a 0 sobre a Costa Rica. Dois gols – Philippe Coutinho e Neymar – nos acréscimos. Pênalti anulado pelo VAR. Choro de Neymar após o jogo. Enfim, ingredientes suficientes para “fechar o grupo” e fortalecê-lo para etapas posteriores, quando não existe mais margem para erros, hesitações, desequilíbrios ou mesmo falta de sorte.

Se há uma coisa que gostei neste jogo foi que a seleção não apelou para o jogo fácil, mesmo quando a bola não queria entrar e o tempo estava se esgotando. Chamo jogo fácil aos chutões e chuveirinhos na área – os sintomas mais claros de que um time precisa fazer gol de qualquer jeito e espera pela Providência Divina para ajudá-lo. Em 99% dos casos não dá certo. Mas como funciona em 1%, até mesmo atletas profissionais ficam chutando bolas a esmo quando os nervos se encontram fora de controle.

Não se viu isso na seleção de Tite. E as substituições melhoraram o time no segundo tempo, em especial com a entrada de Douglas Costa no lugar do apático William.

Quem muito insiste acaba conseguindo – na maior parte das vezes. Por fim, numa jogada meio esquisita, a bola sobra para Coutinho definir de ponta de chuteira, o popular chute de bico. O gol de Neymar se deu quando a Costa Rica já estava entregue, batida e arrasada.

Neymar chorou. Mas não chorou de nervoso como Thiago Silva na Copa de 2014. Chorou para desabafar, e o fez quando o jogo já havia terminado. O grupo uniu-se em torno dele. É jogador de amplos recursos mas que, pelas características profissionais e de caráter, costuma gerar sentimentos ambivalentes. Caso consiga equilibrar-se e melhorar o estado físico ainda pode ser o grande jogador desta Copa.