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Copa do Mundo 2018: Final de jogo para o Brasil

Luiz Zanin Oricchio

06 Julho 2018 | 17h29

Pronto, acabou para o Brasil. Depois de um primeiro tempo péssimo, levamos um 2 a 0 para o vestiário, o que é sempre difícil de reverter. Muito pesado.  

O Brasil melhorou no segundo tempo, conseguiu marcar um com Renato Augusto, mas não teve força para empatar e levar para a prorrogação. Não foi uma derrota acachapante como a da Copa passada, mas foi a suficiente para desclassificar a seleção.

Quem quiser pensar o jogo de maneira mais racional tem de fazer da seguinte maneira. Depois de tomar o primeiro gol de escanteio (gol contra de Fernandinho), o Brasil perdeu o prumo durante algum tempo. Para mim, isso é o mais grave: não ter equilíbrio emocional para entender que tomar um gol faz parte do jogo, da Copa, da vida. Precisa manter a calma, continuar a jogar, empatar e virar. Isso faz um time vitorioso. A seleção brasileira de 2018 não é um time vitorioso.

Ao tomar o primeiro gol, desesperou-se, perdeu a compactação e ficou à mercê dos contra-ataques. Como a Bélgica tem muita qualidade, ficou à vontade para passear em campo. Debruyne, bom de bola, jogava solto. E aí veio o segundo gol, que acabou definindo o destino da partida.

Individualmente vários jogadores brasileiros foram mal – Fernandinho e Paulinho, horríveis. Mesmo craques, como Philippe Coutinho e Neymar, estiveram abaixo do que sabem e podem. Falharam na hora de assumir a responsabilidade quando o time não vai bem. Mesmo assim, o Brasil teve três grandes chances de empatar e não o fez. Uma com Renato Augusto (que já havia marcado o primeiro gol), outra com Philippe Coutinho e a terceira com Neymar.

Tem um aspecto interessante, que pouca gente tem falado e já me preocupava quando o Brasil vinha ganhando: não há um líder em campo. Aquele cara que, na adversidade, bota a bola embaixo do braço, acalma o time e mantém o padrão de jogo. Os mais velhos vão lembrar de Didi, mas também de Carlos Alberto Torres, Zito, Bellini, Cafu e outros. Não necessariamente seria o capitão. Mas um líder, que soubesse mexer com o time e ajudá-lo a colocar a cabeça no lugar nos momentos de pânico. Tite não conseguiu encontrar esse cara. Essa ausência contou muito.

De qualquer forma, mesmo antes de encerradas as quartas de final já podemos dizer que o campeão do mundo de 2018 será europeu. Pela quarta Copa seguida. Todos os sul-americanos já saíram. Prova da decadência do futebol no continente, e não apenas nos times (o que se explica facilmente pela questão econômica), mas também nas seleções.

O futebol é europeu e desapareceu a rivalidade antiga entre o velho e o novo continente. Simplesmente porque, para haver rivalidade, é preciso haver equilíbrio. Este foi rompido e não será a europeia Fifa a restabelecê-lo.

Tchau, Brasil. Foi chato, mas, quando apareceu a primeira dificuldade séria, a seleção mostrou que não tinha condições de ser campeã.