Corinthians x Ponte e 40 anos de história
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Corinthians x Ponte e 40 anos de história

Luiz Zanin Oricchio

29 de abril de 2017 | 12h00

Ainda me lembro da decisão entre Corinthians e Ponte Preta no Campeonato Paulista de 1977. Um micro-ônibus (acho que ainda não existiam as vans) foi fretado por um grupo de amigos corintianos e se dirigiram ao estádio. Nós, que torcíamos para outros times, ficamos esperando a turma no bar que frequentávamos. Quer dizer, num dos bares em que batíamos ponto após as aulas. Na ocasião, foi o Rei da Batidas, na entrada da USP, onde todos estudávamos.

Voltaram como de uma batalha vitoriosa. O Corinthians havia saído da fila, uma indigna fila sem títulos, que o martirizava desde o Campeonato Paulista de 1954. Daí o apelido de “campeão dos centenários”. Brincávamos ao dizer que o seriam campeões de novo apenas em 2054. Era um tempo em que amizades não se desfaziam por causa de brincadeiras como esta.

Saímos pela noite paulistana e, já de madrugada, no Gigetto, encontramos o presidente Vicente Mateus e Marlene, que nos ofereceram um conhaque para enfrentar a noite fria. Como era o Corinthians que estava pagando, tomei um ótimo Courvoisier francês.

Enfim, depois daquele Corinthians e Ponte tumultuado por coisas até hoje inexplicáveis, como a expulsão de Rui Rei logo no início da disputa, muita água correu. O Corinthians, que já era um gigante de torcida, cresceu e ficou enorme em todos os aspectos, inclusive no financeiro. Teve o Dr. Sócrates e a Democracia Corintiana. Ganhou seu estádio. Venceu vários títulos e não apenas o Paulista, que na época, para nós, era o mais importante de todos. Foi campeão do mundo e quebrou o tabu na Libertadores.

Já a Ponte continuou sendo aquele time que todos respeitam. Tem sua torcida, seu estádio, sua tradição. Às vezes monta times poderosos, ou, na atual condição do futebol brasileiro, times bem organizados e interessantes. Falta-lhe um título para valer. Que pode começar a vir a partir de amanhã. Time, a Ponte tem para ser campeã. Não pode se apavorar. Tem de jogar com calma e objetividade, como fez contra Santos e Palmeiras.

E precisa enfiar uma coisa na cabeça: terá com ela a maior torcida do Estado, a maior torcida de toda a sua existência. Tirando a do Corinthians e a do Guarani, que vai secá-la, a Ponte contará a seu lado todas as outras torcidas do Estado, a começar pelas do São Paulo, Palmeiras e Santos.

Que as finais seja interessantes e bem jogadas.