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Dá europeu ou sul-americano?

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 23h12

Muito antes de terminar, a Copa da África já tem uma originalidade: pela primeira vez, desde a 1ª Copa do Mundo, chegam mais sul-americanos do que europeus às quartas-de-final. E isso, é bom lembrar, porque na 1ª Copa, realizada no Uruguai e vencida pela equipe da casa em 1930, foram várias as defecções européias, que não quiseram se expor à longa viagem de então. Treze equipes participaram; nove das Américas, apenas quatro da Europa.

São fatos da história das Copas, disponíveis em qualquer almanaque. Uma história que marca uma velha rivalidade entre a Europa e a América do Sul. Das 18 Copas realizadas, nove foram para europeus, nove para sul-americanos. Empate, que será quebrado agora na África do Sul, a não ser que a seleção de Gana saia campeã. Você apostaria?

Qualquer outra situação leva à quebra do equilíbrio. No seleto grupo que chega agora às quartas-de-final, há quatro países sul-americanos, três europeus e apenas um africano. E nisso se resume o mundo ecumênico da Fifa.

Essa rivalidade Europa-América do Sul vem sendo mantida ao longo dos 80 anos de história das Copas, com uma característica – os europeus vencem apenas em seu continente; os sul-americanos triunfam em casa e no resto do mundo. Perdem na Europa, com apenas uma exceção – o Brasil, que leva o seu primeiro título na Suécia em 1958.

A história das Copas caminha paralela a outras histórias, a dos povos, a da economia e a do próprio futebol. Num certo momento, essa oposição entre Europa e América do Sul era bastante clara. A maior parte dos jogadores permanecia em seus países e assim estilos locais eram nítidos. Com a abertura econômica, a criação da da União Européia e a globalização do esporte, todo esse sistema foi posto em xeque. A Europa abriu seu mercado e passou a absorver craques de todo o mundo – em particular da arquirrival América do Sul. Assim, mesmo que as seleções sul-americanas prevaleçam, deve-se lembrar que a maioria dos seus jogadores atua em clubes europeus.

Com essa realidade econômica, os estilos mesclaram-se, fundiram-se e confundiram-se. Não é tão fácil encontrar uma equipe europeia “puro sangue”, de cintura dura, como as de antigamente. Nem uma equipe sul-americana cheia de ginga e criatividade. Os extremos aproximaram-se. Ficam os sul-americanos com algumas individualidades inimitáveis, para fazer a diferença. Por que a Espanha, que desclassificou Portugal, não é tão boa quanto o Barcelona? Porque é um Barcelona sem a magia de Messi. Por que o Brasil não é uma sólida seleção europeia? Porque tem no improviso de um Robinho (que, aliás, ainda não brilhou), o seu possível diferencial.

(Caderno da Copa, 30/6/10)

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