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Derrotas aceitáveis e inaceitáveis

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 13h45

Meu amigo João, torcedor do Vitória, veio todo pimpão perguntar quanto havia sido o jogo. Resmungando, disse que o time dele havia massacrado o Santos por 6 a 2. Estamos num festival de cinema, em Paulínia, e ele não pôde ver a partida. Quando o informei do resultado, demorou a acreditar. Eu também. Sovas de times grandes produzem um pouco esse efeito. Parecem inverossímeis, coisa de ficção científica, conta de mentiroso. Placar de 6 a 2 não é para futebol profissional, entre times sérios. É coisa de pelada, que na Bahia se chama baba.

Lembro, no calor da hora, de outros resultados do mesmo tipo: o próprio Vitória surrando o Palmeiras por 7 a 2. E a também inacreditável derrota do Santos para o Corinthians de Tevez por 7 a 1. Aliás, sempre que há um Santos x Corinthians aparece alguém na galera do Timão com uma faixa com esse placar e, embaixo, escrita a palavra “inesquecível”. Assim é. Placares como esses ficam na história, na memória coletiva do jogo, dos torcedores. Inscrevem-se tanto no ativo do time que goleia quanto no passivo do que é goleado. É marca que não sai. Nisso deveriam meditar jogadores e técnicos que, por definição, são transitórios. Eles passam; vão e vêm, ao sabor do mercado e dos resultados. Seus feitos ficam. Assim como seus malfeitos. Por isso, é melhor não trocar camisas com o adversário e sair dando risinhos depois de levar tamanha traulitada, como fizeram alguns jogadores do Santos. Melhor abaixar a cabeça e refletir se aquilo que mostraram em campo foi mesmo o máximo que poderiam ter feito. Em caso positivo, melhor pensar em outra profissão. Em caso negativo, estão enganando o clube que os contrata e a torcida que perde seu tempo em vê-los.

Diferente é a situação do Corinthians, que também foi atropelado, em Porto Alegre, isso depois de ter sido alçado rapidamente à condição de melhor time do país. No 1º tempo, só se viu o Grêmio em campo. No segundo, o time gaúcho tirou o pé e deu um refresco ao adversário impotente. Só não foi pior por causa disso, como admitiu o próprio Mano Menezes. A derrota do Timão foi assimilável, por vários motivos. O primeiro é que o time dispõe de crédito à beça diante da sua torcida. Já faturou dois troféus este ano e está garantido na próxima Libertadores. Segundo, porque jogou desfalcado da zaga titular, o que faz toda a diferença. De passagem: o jogo foi instrutivo ao demostrar que, se o Corinthians perder determinadas peças nessa janela de transferências, pode ter um segundo semestre muito inferior ao primeiro. Os dirigentes que se acautelem, portanto, na hora de vender jogadores a torto e a direito. Às vezes não dá para substitui-los.

Já para o Santos, a lição é outra. A torcida não tem porque mostrar qualquer tolerância para com um time de técnica limitada e que tem mostrado pouco apetite. O resultado na Bahia pode surpreender pelo tamanho da trombada. Mas a derrota era esperada. Quem tem visto os últimos jogos do do Santos sabia que ele era o azarão contra o Vitória. Na rodada passada, suou para vencer o Sport, em casa, e com gol impedido no apagar das luzes, como diria o Fiori Gigliotti. Esse time não tem nada a ser dito em seu favor, não ganhou coisa alguma e, se continuar nesse rumo, vai repetir a “campanha” do ano passado. Lutar até a última rodada para não cair. Isso na melhor das hipóteses, porque outra das lições do futebol é que sempre pode ser pior.

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