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Dificuldade de deslanchar

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 14h09

Voltei de viagem e me reencontrei com este estranho Campeonato Brasileiro. E por que estranho? Porque nenhum time parece disposto (o melhor termo seria “capaz”) de deslanchar e afirmar-se como favorito ao título e às vagas na Libertadores – ou seja, a tudo aquilo que vale a pena disputar nessa maratona. Por exemplo, saí do Brasil com a impressão de que haviam dado chance ao São Paulo e este se agarraria a ela com a determinação dos famintos. Isso, embora não haja time mais saciado de conquistas do que o São Paulo dos últimos anos. Mas, de qualquer forma, o time do Morumbi tornou-se conhecido pela constância com que tem disputado os primeiros lugares, tanto que chegou em primeiro nos últimos três campeonatos.
Portanto, esperava (e a torcida tricolor deve ter esperado mais ainda) o São Paulo engolir o Santo André que, inexplicavelmente (podem me chamar de inocente), abriu mão do mando de campo e foi jogar em Ribeirão Preto, diante da torcida do adversário. Mas que nada, como diria o Benjor quando ainda era Jorge Ben. Vi um São Paulo indolente marcar um gol e depois esperar que a vitória fluísse de maneira natural. Tomou o empate como castigo. No mundo das hipóteses, poderia ter sido até pior caso o juiz assinalasse os dois pênaltis claros em favor do Santo André. Vamos lembrar, mas sem ligar os pontos: trata-se do mesmo árbitro que havia marcado três pênaltis contra o São Paulo no clássico com o Palmeiras, sob protestos do politiburo do Morumbi.
Também o Internacional deixou escapar a chance de assumir a liderança ao perder do Vitória. Pode-se argumentar que perder do Vitória no Barradão não é demérito para ninguém. Em casa o Leão ruge mais forte, como pude comprovar certa vez que para lá fui levado por meu amigo baiano – e rubro-negro juramentado – o jornalista João Carlos Sampaio. Acontece que time que quer ser campeão tem de decidir é nessas horas mesmo, mas o Inter de Tite parece vacilar a cada oportunidade que se apresenta. Típico caso do cavaleiro que esnoba o cavalo encilhado. Bem, o número dessas oportunidades é finito, limitado no futebol como na vida. E o que dizer do Corinthians, goleado pelo Goiás em pleno Pacaembu? Será que Mano joga a toalha outra vez?
Já para o outro grande paulista, o Santos, até mesmo a vaga da Libertadores ficou muito distante após o empate com o Botafogo. Estive por lá e pude comprovar. A torcida só não morreu de tédio porque, afinal de contas, o desespero também é uma forma de emoção. De um lado, um Botafogo que veio para empatar, como se esse tipo de resultado fosse livrá-lo da posição incômoda de “rebaixável”. Do outro, um time que precisava da vitória como se precisa de água no deserto e oscilava entre o jogo burocrático, sem qualquer traço de imaginação, e a maneira afobada como tentava chegar ao gol adversário. Mesmo se expondo aos contra-ataques. Sim, porque mesmo diante do frágil Botafogo, o Santos esteve perto de perder o jogo, em plena Vila Belmiro, estádio que já foi um dia apelidado de alçapão.

Por outro lado, quem tem oportunidade de se destacar é justamente o líder Palmeiras, cujo compromisso com o Cruzeiro, no Mineirão, foi adiado para amanhã, por obra da senhora do nosso destino, a TV. É a chance de abrir vantagem e obrigar os outros candidatos a correrem atrás. Não atrás do prejuízo, como se diz, mas do lucro, que seria levantar a taça do Brasileirão.

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