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E a seleção, quando fica pronta?

Luiz Zanin Oricchio

30 de dezembro de 2011 | 00h15

Amigos, tem muita gente querendo saber se a infraestrutura
(estádios, aeroportos, comunicação, etc.) fica pronta para a Copa de 2014.
Justo. Eu também me preocupo em saber se a seleção estará pronta.
Não dá indícios. A não ser nos primeiros jogos promissores da era Mano,
tem se apresentado mal. Não consegue obter bons resultados contra
seleções “grandes”, de primeira linha. Perdeu para França e Argentina;
empatou com a Holanda. É começo de trabalho? É. Mas não parece
muito promissor. O jogo com a Holanda é exemplo. Com exceção de
uns 20 minutos de bom futebol no início do segundo tempo, o time não
engrenou. Tomou vaia em Goiânia.

A alegação de Mano parece consistente: “Prefiro a dura realidade
que resultados ilusórios”. Verdade. Melhor pegar logo de vez as carnes
de pescoço do que ficar se enganando em vitórias contra adversários
inofensivos. Mesmo assim, não se percebe uma linha evolutiva da seleção.
E, para permanecermos na tal da realidade, melhor não levar muito em
conta o resultado hoje contra a Romênia que, além de não pertencer ao
andar de cima do futebol, ainda vem desfalcada. Trata-se de jogo festivo,
a despedida de Ronaldo, etc. No entanto, se a seleção não der show,
ou pelo menos vencer, as vaias do Serra Dourada poderão se repetir no
Pacaembu.

O problema não são tanto as vaias, embora elas não possam ser
ignoradas. É que elas são sintoma de algo mais grave, o estranhamento
do brasileiro com sua seleção, que não se atenuou. É verdade que agora
existem no time alguns jogadores que atuam no País, mas esse fato
(positivo) não foi ainda capaz de familiarizar o torcedor com a sua seleção.
Ele ainda a sente como corpo estranho, uma equipe que é prestigiada se
fornece um bom espetáculo e hostilizada quando decepciona. O apoio
incondicional, esse que Mano pede, ainda não é um fato. Por isso, diz o
treinador, “teremos de educar” a torcida para que, durante a Copa, jogue
junto com o time, esteja este bem ou mal, na frente ou atrás no placar.

O que me pergunto é se esse projeto pedagógico proposto
pelo técnico vai colar. Há quem diga que o apoio incondicional virá de
maneira natural assim que a Copa começar. Mas pode não vir. Há um
longo afastamento entre torcida e seleção que já vem preocupando até
mesmo a insensível CBF. Data de muito tempo, a meu ver, mas ficou mais
explícita no fiasco da Copa de 2006. Dunga foi escalado para estreitar esse
relacionamento. Deu no que deu.

Agora a situação é diferente. A próxima Copa será aqui e Mano
Menezes, desde o começo, deu mostras de preocupação com o problema.
Sabe que, para ganhar a Copa, será preciso um time em campo, mas o
apoio da torcida também ajuda. E muito. Como ganhar de volta esses
corações e mentes? De várias maneiras, supõe-se. Não fazendo distinção
muito rígida entre os jogadores que atuam na Europa e os que continuam
no Brasil, como faziam seus antecessores, para os quais os atletas que
aqui ainda jogavam eram considerados de segunda classe. Outra medida:
fazer a seleção jogar mais no Brasil durante a fase de preparação, o que
implica em menos lucro e mais risco, como se viu em Goiânia.

O nó da questão é esse: parece que o torcedor estabeleceu com a
seleção uma relação de consumidor diante de um serviço. Ele paga e, se
não recebe o que lhe é prometido, chia. O Procom do torcedor é a vaia.
Desse modo, a única saída viável para a seleção ter apoio é começar
a jogar bem. Tivesse enfiado dois ou três gols na Holanda, e sairia
consagrada de Goiânia. Melhor ainda se tivesse vencido e dado show. É
o que dela se espera. Ninguém, portanto, se iluda com essa história de
apoio incondicional. Ele não virá, pelo menos nesses jogos preparatórios.
Na Copa, devido ao clima de competição, pode até ser diferente. Mas é
melhor não confiar.

Boleiros, 7/6/2011

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