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É esse o equilíbrio que queríamos?

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 20h40

24/7/2007

Quem é contra o sistema de pontos corridos diz que ele perde a graça quando
algum time dispara. E, assim, a torcida fica sendo para um campeonato
equilibrado, com concorrentes embolados, decidindo tudo na última rodada. Se
é assim, nada melhor do que esse Brasileirão de 2007 porque mais
equilibrado, impossível. Mas, como bem se pergunta um amigo aqui da redação,
era esse o equilíbrio que tanto desejávamos?
Essa é a questão. O nivelamento de qualquer atividade, futebol inclusive,
pode ser obtida por cima ou por baixo. Acho que nem preciso dizer de que
maneira se atingiu o equilíbrio no futebol brasileiro. Por exemplo, bastaria
rever as jogadas dos gols contra o Corinthians e contra o Flamengo para nos
convencermos de que o problema não é apenas falta de atacantes, mas também
de zagueiros. Claro, não é justo jogar toda a culpa sobre Fábio Ferreira, do
Corinthians, e Irineu, do Flamengo, protagonistas das maiores lambanças da
rodada. Mas é óbvio que, em futebol mais sadio, eles não estariam jogando em
clubes de ponta.
De ponta? Mais do que isso: Corinthians e Flamengo são os dois times mais
populares deste País. Terminaram a rodada na zona de rebaixamento. O Mengo
segura a lanterna. “Sim” – dirá um rubro-negro otimista (será que eles ainda
existem?) – “mas estamos com três jogos atrasados”. Ok, mas com oito pontos,
o Flamengo só deixa a zona de descenso se vencer os três. Está jogando bola
para que se conte com isso?
Enfim, a situação falimentar desses clubes de imensa torcida e prestígio diz
muito sobre o panorama atual do futebol brasileiro. Tudo é fruto de péssimas
administrações e, no caso do Corinthians, da ilusão de que firmar uma
parceria com a máfia internacional sairia de graça. Mas ambos também são
vítimas de uma situação mais geral do nosso futebol, que deixa os clubes em
posição muito frágil diante dos negócios do futebol globalizado.
Na outra ponta da tabela, o Botafogo, mesmo perdendo força com a ausência de
Dodô, continua com ótimo aproveitamento – 69% dos pontos possíveis. Seguido
por São Paulo (56%), Paraná (56%) e Grêmio (53%). No mais, a embolação é
geral e 11 pontos separam o líder Botafogo do primeiro clube que escapa à
zona de rebaixamento, o Juventude, que tem 14, em 12 jogos.
TEORIA DA VAIA
O Pan começou com uma grande vaia. Vaia que foi aplaudida por uns e vaiada
(em silêncio) por outros. A propósito desse episódio, lembrou-se de Nelson
Rodrigues e a frase de que o Maracanã vaia até minuto de silêncio. Ao longo
do Pan, as vaias voltaram a levantar polêmica. O grande ídolo do basquete,
Oscar Schmidt, foi censurado por vaiar atletas de esportes individuais, como
se a vaia fosse aceitável apenas quando dirigida a esportes coletivos. Vi a
dupla americana de vôlei de praia ser vaiada em sua disputa com os
brasileiros. Dupla pode levar apupos? Depois houve a longa vaia (seguida de
pancadaria) em uma decisão do judô entre uma cubana e uma brasileira. Judô
não é esporte individual?
Mas, se um presidente ou uma judoca podem ser vaiados, é no futebol que a
vaia encontra seu habitat natural. Nele, vaia-se o minuto de silêncio, a
execução do Hino Nacional, o trio de arbitragem, os gandulas, o adversário e
o próprio time da casa quando não desempenha a contento. Entre tantas vaias
recentes, a mais terrível foi a da Fiel na derrota para o Náutico. De gelar
os ossos, presidente Dualib.

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