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É isso aí, Mano!

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 14h14

Talvez essa primeira convocação de Mano Menezes seja apenas um cartão de visitas. Uma simples carta de intenções. Vamos ver mais adiante. Mas, por ora, pegou bem. Legal. Gostei. Foi coerente (essa palavrinha…) com os propósitos já expressos de renovação com vistas a 2014. É, de fato, uma seleção quase nova em folha, pois preserva apenas quatro nomes da fracassada campanha de 2010 – Thiago Silva, Ramires, Robinho e Daniel Alves. O resto é tudo novidade, cheirando a tinta, incluindo a dupla Neymar & Ganso, que tanto fora exigida pela opinião pública na última convocação de Dunga. Como mostrou que veio para mudar, Mano, além deles, incluiu na lista o atacante do Santos André, ainda na Vila, mas negociado para
Dínamo de Kiev. (Aliás, a nova presidência do Santos já tem uma façanha a comemorar em sua gestão – vendeu o centroavante da seleção brasileira.).
Devemos – e podemos – ver nessa primeira convocação uma tendência, mas não muito mais do que isso. Muita água vai rolar até 2014 e o primeiro a saber disso é o próprio Mano. Livre das Eliminatórias, Mano terá de enfrentar A Copa América, um pré-olímpico, e a Copa das Confederações, além de amistosos. Nada que indique chapa quente em sua trajetória, a não ser que monte seleções que joguem muito mal e comprometam a chegada do técnico à Copa. Em condições normais de temperatura e pressão, Mano deve mesmo ser o treinador na segunda Copa realizada no Brasil. E com a missão de que experiência da primeira, a de 1950, não seja repetida. Até lá há um longo caminho.
Como dizia certo líder chinês, toda longa marcha começa por um primeiro passo. E o companheiro Mano o deu com o pé direito. Dá para formar um bom time com essa base renovada. Por exemplo, com Vítor, Thiago Silva e Henrique; Daniel Alves e Marcelo; Lucas e Hernanes, Ganso e Carlos Eduardo, Neymar e Pato. É time de respeito e pode jogar de maneira interessante. Há variantes e diversas possibilidades de montar esse time-base com os 24 convocados. Isso não quer dizer que sejam as únicas opções. É bem possível que outros náufragos da campanha de 2010 sejam resgatados. Não é justo que Júlio César seja descartado apenas pela falha no gol da Holanda. Parece também pouco provável que Kaká, se voltar à forma ideal, fique de fora do time. Isso apenas para citar dois. Algum continuísmo não faz mal nenhum à renovação. Pelo contrário. Até revoluções preservam alguns quadros do regime anterior, porque são eles que conhecem o funcionamento da máquina. Veteranos podem dar segurança aos novatos, pelo menos nos primeiros tempos. Mas, se a ordem era renovar, Mano a cumpriu na íntegra.
Definidos esses primeiros nomes, o principal será ver se a seleção volta a jogar um futebol digno da tradição brasileira. A Copa e o bom senso já nos ensinaram a engavetar essa discussão tosca entre futebol-arte e futebol de resultado. O que existe é futebol bem jogado, e ponto. Quando um time joga bem, tem tudo para vencer, salvo as imprevisibilidades características desse jogo. Vários times históricos (o Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Cruzeiro de Tostão, o Flamengo de Zico, etc.) jogaram bem e venceram. Para não ficar no passado: o Santos do primeiro semestre resgatou a arte de jogar bola com alegria e com ela conseguiu resultados. Tomara Mano consiga devolver à seleção esse prazer juvenil de brincar com a bola. E brincando, ser sério e eficaz. Estamos na torcida.

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