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E não é que o São Paulo se deu bem?

O até agora desacreditado São Paulo era o brasileiro que tinha o maior desafio na rodada da Libertadores: enfrentar o campeão River Plate, em sua casa. E não é que o Tricolor conseguiu arrancar um bom empate?

Luiz Zanin Oricchio

11 de março de 2016 | 18h35

 

De todos os brasileiros que disputaram jogos pela Libertadores da Améŕica, deu-se bem aquele em que menos se acreditava. O São Paulo. O Tricolor vinha tropeçando nas próprias pernas, arrastava-se em campo, sem convencer a torcida. Pior: sem convencer a si mesmo de que era capaz de jogar bem.

Tinha pela frente o pior dos adversários – o River Plate, argentino e atual campeão da Libertadores. Jogando em sua casa, no Monumental de Nuñes, o River era favorito absoluto. E não é que o São Paulo foi lá, abriu o placar e só cedeu empate por uma falha do goleiro Denis?

Fiquemos na falha, primeiro. Denis foi muito atabalhoado ao rebater a bola, que se chocou contra seu próprio companheiro e entrou no gol. Uma trapalhada, quase uma videocassetada do Faustão. Mas que acontece, em especial pela afobação do jogo, pela tensão do momento. Partida importante, na casa do adversário, pressão da torcida. Tudo convida ao erro. Vão me dizer: sim, o goleiro tem obrigação de enfrentar tudo isso e tirar de letra. E já ouço dizerem “Se fosse o Rogério Ceni…” Sim, talvez. E, ok, goleiro tem de ser frio, infalível, impávido e tranquilo como Bruce Lee. Mas às vezes não é. Errou, pronto. Serve de experiência. Feio é não admitir o erro, como ele fez. Quando a gente pisa na bola, melhor admitir. É bom para nós, é bom para o interlocutor (a torcida, no caso), pois sabe que reconhecemos o erro, o assimilamos e vamos fazer o possível para que não se repita. Enfim, cada um tem uma reação.

Mas, mais importante foi o gol do São Paulo e não o erro do Denis. Golaço do Ganso. Pegou de primeira, de voleio, e jogou a bola no cantinho do gol do River. Indefensável. Ganso é bom de bola. E, nesse jogo, assumiu uma atitude que sempre lhe cobram. Mais participativo, com mais raça, ligado no jogo, usando sua inteligência para bem do coletivo. Até exagerou no empenho e acabou expulso pelo carrinho em um adversário.

O São Paulo, como um todo, jogou melhor do que vinha fazendo. Encorpou, parecia um time com identidade própria e sabia o que fazer em campo. Isso não quer dizer que deu um vareio de bola no River. Nada disso. Até o gol do Ganso, foi o River Plate que teve as melhores chances. Mas, depois do gol, o São Paulo mudou de atitude e cresceu. Entrou em outra sintonia. Arrancou esse empate com bravura. E bravura (não confundir com braveza) é o que se exige na Libertadores. Aliás, se exige sempre. Mas o espírito, a alma, na Liberta, pesam mais.

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