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É paulista ou paulistano?

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h33

1/4/2008
Antes de o campeonato iniciar, poucos acreditavam que algum time do interior
fosse chegar à semifinal. Lembrávamos de que no ano passado chegaram
Bragantino e São Caetano, mas, no fundo, todo mundo achava que lá estariam,
para disputar a taça, os quatro de sempre. Pois bem, não será assim. Um – o
Guará – já está classificado. E, apesar de duas vagas ainda estarem em
aberto, o cenário mais provável diz que outra ficará com a Ponte Preta.
Se der a lógica, teremos a seguinte classificação, do primeiro ao quarto:
Guaratinguetá, Palmeiras, São Paulo e Ponte Preta. Dois “grandes” da
capital, dois do interior.
Claro que o “cenário” pode ser outro. O São Paulo pode perder para o
Juventus; a Ponte pode tropeçar diante de um Santos desinteressado, o
Barueri pode entrar, o Corinthians também, etc. Tudo pode e tudo ainda está
aberto para quatro clubes. Mas há alternativas menos prováveis. Se tivesse
que fazer uma aposta em dinheiro seria com Guará em primeiro e a Ponte
beliscando a última vaga. Caso isso aconteça, dois grandes da capital
matam-se na semifinal e dois do interior fazem o mesmo. Conclusão: interior
x capital na finalíssima.
Seria, em minha opinião, desfecho justo para um campeonato que saiu melhor
do que a encomenda. Tecnicamente, não vimos grande coisa. Mas o futebol
brasileiro, como se sabe, deixou de ser grande no plano interno. Então, é
isso mesmo o que se poderia esperar: certo nivelamento entre equipes, o que
torna compreensível que Guará e Ponte disputem o título contra clubes que
têm muito mais grana, torcida e conquistas.
É esse o retrato do futebol paulista que, espelha a realidade do futebol
nacional. E, para que o retrato saia nítido e justo, seria indispensável que
os times do interior tivessem o mando em suas casas. Nada dessa maracutaia
de trazer todos os jogos para a capital. É, de elementar justiça que cada
time jogue em seu estádio, seja ele na capital, no litoral ou no interior.
Afinal, o campeonato é paulista e não paulistano. Ou não é?
LEI PELÉ, AINDA
Recebi várias mensagens a propósito do comentário da semana passada sobre a
Lei Pelé. O pensamento brasileiro ainda é ingenuamente binário. Se você não
é isso, é o oposto e ponto final. No caso, se alguém faz reparos à Lei Pelé,
é acusado de ser favorável à iniqüidade da Lei do Passe. Não é o caso deste
cronista, que espera, em sua vida cotidiana e naquilo que escreve, passar ao
largo desse modo maniqueísta de raciocinar.
Entendo que a lei é um avanço, mas precisa de reparos que dêem maior poder
de barganha aos clubes na hora de contratar, renovar contratos e negociar.
Esse maior poder (tempo de contrato, idade mínima para contratar, valor da
multa maior em relação ao salário, etc.) fortaleceria os clubes. Não apenas
para manter atletas por mais tempo, mas para negociá-los em condições
melhores. Seria uma forma de capitalizar os clubes para que possam
substituir à altura os que se forem.
Do jeito como é, a Lei Pelé parece um bilhete premiado para todos. Menos
para o futebol brasileiro e seu público-alvo, a torcida. Seria como um
sistema educacional que produzisse escolas maravilhosas para seus
proprietários, excelentes para os professores e péssimas para os alunos. Se
alguém não deseja enxergar essa distorção do futebol brasileiro, é direito
seu. Mas não se pode pedir a todos que dêem uma de avestruz.

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