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Entre parceiros e predadores

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 23h27

Um amigo me abordou outro dia e foi direto ao ponto: “E aí, quando você vai escrever alguma coisa sobre o Fluminense?” Pois bem: é hoje. Depois de ter visto como passou por cima do Internacional no Maracanã, me convenci de que o Flu é mesmo o grande candidato ao título brasileiro. Sim, já posso ouvir trombetas ao longe: “O Inter estava com time reserva e com a cabeça inteira voltada para jogo da decisão da Libertadores, etc”.

Tudo isso é verdade. Mas não é menos verdade que o time misto do Inter é melhor do que muita equipe titular que anda por aí com mais prosa do que bola. E foi simplesmente ignorado por uma equipe que, é bom lembrar, está com Fred fora de combate e ainda não estreou o reforço mais recente, o luso-brasileiro Deco. O time, muito bem treinado por Muricy, apresenta aquela consistência de jogo que costuma levar as equipes bem longe, em geral ao título. O Flu é muito superior ao seu concorrente mais próximo, o Corinthians, cuja derrota para o Avaí mostrou antigas deficiências, a principal sendo a falta de um atacante. Vamos ser realistas: é ilusório esperar que o Fenômeno entre em forma a tempo de ajudar o Timão a ganhar um título neste ano de centenário.

Por isso, tudo corre bem para o Flu. E corre bem para Muricy, que ainda deve lamentar a recusa ao convite para a seleção mas, para compensar, ganha um jogador de qualidade a cada semana para qualificar sua equipe cada vez mais. E por quê? Porque, por algum motivo, conseguiu uma parceira que não parece predatória nem afobada para fazer dinheiro rápido. O Fluminense tem grana para segurar jogadores e contratar reforços. O clube não parece louco para lucrar. Parece louco para ganhar o título, e isso é o fundamental.

Não sei (e ninguém sabe) o que vai acontecer no resto do ano. Se o Flu vai manter o pique ou começará a fazer água por algum desses mistérios do futebol. Não se sabe se algum concorrente vai encostar no primeiro colocado ou se ele navegará tranquilo, e em águas calmas, até a rodada final. Ninguém tem a menor ideia. O que se pode dizer, sim, é que o clube das Laranjeiras exibe, com segurança, aquela disposição de quem sabe muito bem o que quer na vida.

Coisa que não se pode dizer dos seus concorrentes, pelo menos até agora. Entre os paulistas, o Corinthians ainda pode crescer. Perdeu ótimo técnico, mas Adilson pode substituir Mano à altura. Precisa contratar e reforçar o ataque. Se não, nada feito. Já o São Paulo vai empregar o resto do ano em se reconstruir. Depois da ressaca da perda da Libertadores e da saída de Ricardo Gomes, tem de enfrentar o desafio de repensar a vida, renovar o elenco e tentar ainda beliscar uma vaga para a Libertadores do ano que vem. Não vejo o Tricolor fazendo mais do que isso, mas é apenas palpite.

O mesmo pode ser dito do Palmeiras, que tropeça demais nesse retorno de Felipão e, mesmo reforçado com Valdivia, talvez não aspire a nada além do que ficar entre os primeiros colocados e montar um time de fato competitivo para 2011.

O Santos é um caso à parte. Já cumpriu mais do que prometia no começo do ano e ganhou dois títulos importantes, o paulista e o da Copa do Brasil – que lhe dá a vaga na Libertadores do ano que vem. O outro lado desse êxito prematuro também já surgiu. O time jovem que fez sucesso sofre o assédio estrangeiro e está em via de ser desmanchado. A atual direção, que anunciou novos rumos, com muito papo e pose, faz o mesmo de todas as outras. Ou seja, nada. Só poderemos analisar o que o Santos ainda pode fazer em 2010 quando soubermos o que dele restará após o fechamento dessa maldita janela de transferências para o exterior.

Enquanto os outros vivem seus problemas, inquietações e conformismo, o Fluminense joga. E vai abrindo vantagem na ponta

Coluna Boleiros 17/8/2010

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