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Falta um Zito

Luiz Zanin Oricchio

22 de dezembro de 2011 | 14h21

Domingo, na Vila, um torcedor um pouco mais veterano, suspirou: “Por isso é que aquele time dos anos 60 era grande; além de ser bom de bola, jogava com seriedade o tempo todo”. A bronca veio num momento do jogo em que o Corinthians já tinha perdido dois jogadores por expulsão e o jovem time do Santos, ao invés de aproveitar a oportunidade e meter uma goleada histórica, ficou tocando a bola de lado e fazendo firulas inúteis em campo.
Vamos dar o desconto: torcedor do Santos, em especial os que viram Pelé, Coutinho & Cia ao vivo em cores, é rabugento mesmo. Nunca está satisfeito com nada, o que acaba ficando chato, pois, no limite, mostra-se incapaz de apreciar a riqueza desse time que surpreende a todos – até mesmo a este cronista que, no começo do ano, apontou o Santos como a quarta força do futebol paulista. Mea culpa, mas como adivinhar que time tão jovem daria liga em tão pouco tempo? Surpresas – agradáveis – do futebol.
Mas há um lado verdadeiro na bronca do torcedor – que, aliás, não foi exclusiva dele, pois uma boa parte da torcida que estava na Vila Belmiro se irritou durante os 20 minutos finais do jogo, quando o Santos tinha superioridade de marcador, dois jogadores a mais e deixou um Corinthians valente quase empatar o jogo. Teria sido um castigo cruel, mas talvez funcionasse como lição interessante para os meninos. Não se brinca impunemente com o futebol. Ou, como dizia certo técnico mal-humorado: a bola pune. Talvez naquele momento de dispersão, quando devia ir para cima do adversário enfraquecido, tenha faltado ao Santos um Zito, um grande comandante para botar ordem na casa e recolocar o time nos eixos quando começa a descarrilar. Era o que fazia o capitão daquele time inesquecível. Cercado de cobras criadas por todos os lados, grande jogador ele próprio, cabia a Zito passar descomposturas em quem saísse da linha. O próprio Pelé ouvia de cabeça baixa o que o capitão tinha a dizer. Um líder desse tipo não inibe ninguém; pelo contrário, facilita a vida da molecada. O problema é um só: onde achar um Zito hoje em dia?
Em falta de um líder dessa qualidade, o jovem Santos vai caminhar no fio da navalha – como encontrar o limite certo entre o talento, que produz o futebol arte, e a soberba, que pode botar tudo a perder? Ninguém deve podar a irreverência desses garotos, que estão jogando o fino da bola. Mas alguém tem de dizer a eles que o grande espetáculo precisa de uma conclusão à altura – a bola no fundo da rede. Caso contrário é só espuma. Cabe a Dorival Jr., que está fazendo um grande trabalho com esse time, explicar aos jovens esse fundamento maior do jogo da bola. Você respeita um adversário quando faz nele o máximo de gols que puder.
Infância brasileira
Além de Neymar, Ganso e André, outro menino chamou a atenção neste fim de semana: Wellington Silva, do Fluminense. O garoto fez um dos gols na vitoria sobre o Friburguense e, na entrevista, chorava a ponto de dar dó, tão comovido estava. Minha mulher, ao ver a emoção do moleque, também puxou o lencinho. Enfim, era uma cena de novela mexicana – no bom sentido, é claro. Eu via no menino um pouco da fisionomia de Pelé quando surgiu, um pouco da de Robinho e também me comovi. Depois, a emissora de TV informou que Wellington tem 17 anos, já está vendido para o Arsenal e segue para a Inglaterra quando completar 18. Nesse ponto, quem teve vontade de chorar fui eu.

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