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Fecham-se as cortinas

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h56

12/8/2008

Como diria Fiori Gigliotti, o querido narrador da minha infância, “Fecham-se
as cortinas e termina o primeiro tempo”. No caso, o primeiro ato deste
Campeonato Brasileiro de 2008. Metade do caminho se foi e a maior parte dos
clubes já disse a que veio. Ou a que não veio.
Não que reviravoltas estejam fora de questão, pois estamos falando de
futebol. Mas, em todo caso, parece difícil dizer que o título não será
disputado entre os quatro que ficaram nos primeiros lugares – Grêmio,
Cruzeiro, Palmeiras e São Paulo. Mostraram-se os mais bem estruturados até
aqui, os que estão jogando mais bola e, mesmo participando da mediocridade
generalizada que atingiu o futebol brasileiro, são eles os que se destacam.
Dos quatro, confesso, o que mais me surpreende é o Grêmio. Do Cruzeiro,
sabíamos que podia ir longe. O Palmeiras tem investimento pesado e comissão
técnica top. O São Paulo está sempre ali por perto do topo, aconteça o que
acontecer. Agora, a boa situação do Grêmio impõe talvez uma revisão na
antiga idéia que tacha o técnico Celso Roth de retranqueiro.
Retranca? Mas se o tricolor tem 35 gols e lidera a artilharia…Bendito o
futebol, que nos permite rever e questionar nossos próprios preconceitos.
Agora, se o Grêmio começar a bater pino, vai aparecer muito comentarista
para dizer: “Eu não falei? Eu não disse?” Mas, por enquanto, o time de Roth
parece sólido candidato ao título.
Há outras dúvidas. Esses times, os melhores até agora, vão manter os atuais
elencos até o final da maldita janela de transferências ao exterior?
Provavelmente não. Devem sofrer baixas, embora não de grande monta, tamanho
é o osso em que anda o futebol brasileiro. Mas, de qualquer forma, quando
você tira alguma coisa de quem já tem pouco, isso pode fazer toda a
diferença.
E, por falar em tirar dos pobres, dá pena olhar para o fundo da tabela e
encontrar três grandes times, Vasco, Santos e Fluminense. E pensar que os
dois últimos disputaram a Libertadores e, mais, que o Flu chegou à
final…Onde foi parar o futebol brasileiro? Quantos deles irão disputar a
Segundona no ano que vem? Uma coisa é certa: se não mudarem, vão cair mesmo.
São três times desgovernados e sem perspectivas.
Como estou no exterior, só consegui ver um compacto do jogo entre Santos e
Náutico pela internet. Mesmo lembrando de que o Santos vinha de duas
derrotas em casa, fiquei impressionado com a falta de personalidade do time.
Só dava Náutico nesse jogo de ataque contra defesa. O Santos parecia
resignado a jogar como time pequeno e acabou tomando o merecido castigo
naquele gol de escanteio. É um time esfacelado, técnica e psicologicamente.
Vai ser difícil sair do buraco onde a atual diretoria o meteu.
Vi também um compacto da seleção olímpica. Certo, a Nova Zelândia é aquilo
que se sabe. Mas como é bom ver Ronaldinho fazendo aquelas jogadas mágicas,
que parecia haver esquecido. Vamos ver o que acontece com esse time quando
pegar um adversário mais consistente.
CAVALO SÁBIO
Estamos em Lima, no Peru, com um grupo de latino-americanos de vários
países. E, quando essa turma de hermanos se reúne, pinta a inevitável
discussão: Pelé ou Maradona? Ontem estávamos almoçando numa fazenda perto da
capital, onde se criam os famosos caballos de paso peruanos.
Quando a discussão caminhava para um impasse, um cavalo relinchou ao lado
com toda a veemência. Ouvi claramente o bicho votar em Pelé e com isso a
polêmica foi encerrada. Até os animais conhecem a verdade, quando
devidamente educados.

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