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Fecham-se as cortinas…

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 22h25

Como diria Fiori Gigliotti, o querido narrador da minha infância, “Fecham-se as cortinas e termina o primeiro tempo”. No caso, o primeiro ato deste Campeonato Brasileiro de 2008. Metade do caminho se foi e a maior parte dos clubes já disse a que veio. Ou a que não veio.

Não que reviravoltas estejam fora de questão, pois estamos falando de futebol. Mas, em todo caso, parece difícil dizer que o título não será disputado entre os quatro que ficaram nos primeiros lugares – Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e São Paulo. Mostraram-se os mais bem estruturados até aqui, os que estão jogando mais bola e, mesmo participando da mediocridade generalizada que atingiu o futebol brasileiro, são eles os que se destacam.

Dos quatro, confesso, o que mais me surpreende é o Grêmio. Do Cruzeiro, sabíamos que podia ir longe. O Palmeiras tem investimento pesado e comissão técnica top. O São Paulo está sempre ali por perto do topo, aconteça o que acontecer. Agora, a boa situação do Grêmio impõe talvez uma revisão na antiga idéia que tacha o técnico Celso Roth de retranqueiro. Retranca? Mas se o tricolor tem 35 gols e lidera a artilharia…Bendito o futebol, que nos permite rever e questionar nossos próprios preconceitos. Agora, se o Grêmio começar a bater pino, vai aparecer muito comentarista para dizer: “Eu não falei? Eu não disse?” Mas, por enquanto, o time de Roth parece sólido candidato ao título.

Há outras dúvidas. Esses times, os melhores até agora, vão manter os atuais elencos até o final da maldita janela de transferências ao exterior? Provavelmente não. Devem sofrer baixas, embora não de grande monta, tamanho é o osso em que anda o futebol brasileiro. Mas, de qualquer forma, quando você tira alguma coisa de quem já tem pouco, isso pode fazer toda a diferença.

E, por falar em tirar dos pobres, dá pena olhar para o fundo da tabela e encontrar três grandes times, Vasco, Santos e Fluminense. E pensar que os dois últimos disputaram a Libertadores e, mais, que o Flu chegou à final…Onde foi parar o futebol brasileiro? Quantos deles irão disputar a Segundona no ano que vem? Uma coisa é certa: se não mudarem, vão cair mesmo. São três times desgovernados e sem perspectivas.

Como estou no exterior, só consegui ver um compacto do jogo entre Santos e Náutico pela internet. Mesmo lembrando de que o Santos vinha de duas derrotas em casa, fiquei impressionado com a falta de personalidade do time. Só dava Náutico nesse jogo de ataque contra defesa. O Santos parecia resignado a jogar como time pequeno e acabou tomando o merecido castigo naquele gol de escanteio. É um time esfacelado, técnica e psicologicamente. Vai ser difícil sair do buraco onde a atual diretoria o meteu.

Vi também um compacto da seleção olímpica. Certo, a Nova Zelândia é aquilo que se sabe. Mas como é bom ver Ronaldinho fazendo aquelas jogadas mágicas, que parecia haver esquecido. Vamos ver o que acontece com esse time quando pegar um adversário mais consistente.

CAVALO SÁBIO

Estamos em Lima, no Peru, com um grupo de latino-americanos de vários países. E, quando essa turma de hermanos se reúne, pinta a inevitável discussão: Pelé ou Maradona? Ontem estávamos almoçando numa fazenda perto da capital, onde se criam os famosos caballos de paso peruanos. Quando a discussão caminhava para um impasse, um cavalo relinchou ao lado com toda a veemência. Ouvi claramente o bicho votar em Pelé e com isso a polêmica foi encerrada. Até os animais conhecem a verdade, quando devidamente educados.

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