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Felipão é intocável no Palmeiras?

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 23h21

3/8/2010

Não seria difícil prever o tratamento diferenciado que Luiz Felipe Scolari recebe hoje de jogadores, dirigentes e da própria mídia. Fosse outro, com esse desempenho meio sem sal do Palmeiras na retomada do Campeonato Brasileiro (está há quatro jogos sem ganhar) e já veria, não digo o mundo cair sobre sua cabeça, mas, pelo menos, uma intensa formação de nuvens bastante carregadas na linha do horizonte. Cúmulos nimbos, como dizem os meteorologistas.

Não. Scolari segue tranquilo, surfando em popularidade. Aquele mesmo Ibope que o dava como favorito para assumir a seleção brasileira, à frente de Muricy e Mano. Sejamos justos. Felipão tem história para justificar essa benevolência. Campeão da Libertadores da América pelo Palmeiras, campeão do mundo em 2002, ótimo trabalho na seleção portuguesa, além de uma simpatia meio brusca, que passa credibilidade ante a opinião pública. É currículo.

Luiz Felipe não é uma celebridade vazia. Tem conteúdo. Mas é uma celebridade. E, no mundo atual, às celebridades tudo é permitido, ou quase tudo. Às celebridades, se pede que existam, se exibam e basta. No futebol, o buraco pode ser mais embaixo. De qualquer forma, ele tem um capital de popularidade de que nenhum outro técnico no Brasil dispõe. Apesar do começo tímido, mal começou a gastá-lo. E talvez logo seja recompensado pelos resultados, quando então poderá não apenas deixar de dilapidar o patrimônio como talvez aumentá-lo ainda mais.

Há motivos para pensar assim. De um lado, a competência técnica de Felipão. De outro, os jogos, este último em particular. O Palmeiras, embora não tenha vencido o Corinthians, jogou bem. Não sendo favorito, pois o Corinthians tem mais estrutura como time, o Palmeiras igualou as ações depois de ser dominado até tomar o gol. Poderia muito bem ter vencido a partida. Qualquer um dos dois, aliás, poderia ter levado a melhor nesse clássico tão igual. Por fim, devem chegar ao Palmeiras os tais reforços, para dar mais caldo ao cozido do chefe.

Mas não é isso que quero discutir e sim o limite da imunidade de algumas estrelas. Duas delas – Luxemburgo e Muricy – conheceram recentemente a cor do bilhete azul. E ambos no mesmo Palmeiras que hoje abriga Felipão. Quando foram demitidos o time ia mal, mas não em situação extrema, ameaçado, por exemplo, de ir parar na Segunda Divisão. Acontece que talvez não tenham se adaptado tão bem à nova política do Parque Antártica, sempre tão confusa e sinuosa que desnortearia um mestre da matéria como Nicolau Maquiavel. O Parque, com suas alamedas cheias de sussurros, teria mistérios mesmo para o florentino, autor de O Príncipe, esse clássico sobre a arte de governar em tempos difíceis. Tanto Muricy como Luxemburgo aparentemente foram devorados pelas intrigas palacianas de uma prosaica turma do amendoim.

Caíram como comuns mortais, embora façam parte do seleto clube dos intocáveis. Na verdade, Muricy já havia saído contra a vontade do São Paulo, isso depois de ser tricampeão brasileiro no Morumbi. Prova de que existem limites de durabilidade do material, mesmo para os mais badalados entre todos.

Vanderlei Luxemburgo é um que está sendo posto à prova em sua couraça de celebridade. Coleciona maus resultados no Atlético Mineiro e vê seu time vegetar na indesejável zona de degola. Domingo Luxa saiu vaiado de campo, depois de mais uma derrota do Atlético, desta vez para o arquirrival Cruzeiro. “Coisas da vida”, ele comentou. Mas deve ter pensado quanto ainda poderá resistir a uma campanha dessas.

A condição de celebridade pode blindar o treinador durante algum tempo. Ou mesmo durante muito tempo. Não para sempre.

As portas do paraíso

Vitória e Santos, São Paulo e Inter definem quarta e quinta-feira seus projetos de vida. A coisa atende pelo nome de Libertadores da América, esse torneio que se tornou o maior objeto de desejo dos clubes, jogadores, torcedores, aficcionados, curiosos, etc. Quem vencer, entre Santos e Vitória, leva a Copa do Brasil e já tem vaga assegurada para o próximo ano. Quem passar, entre São Paulo e Inter, disputa a final da Libertadores com o vencedor de Chivas e Universidad do Chile. É o paraíso. Durante muitos anos a Libertadores foi meio subestimada pelos brasileiros. De repente, entrou na moda. E na moda ficou. A vida é mutável. Às vezes, insondável.

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