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Finais de carreira: Rogério Ceni e Ronaldinho Gaúcho

Luiz Zanin Oricchio

30 de setembro de 2015 | 19h34

Muito se falou nesta semana sobre o iminente fim de carreira de dois jogadores muito importantes do futebol brasileiro: Rogério Ceni e Ronaldinho Gaúcho.

O tempo não poupa ninguém. Menos ainda quem depende da plenitude física para trabalhar. Nós, que exercemos outras funções, podemos ir enfrentando a decadência com mais galhardia, digamos assim. Enquanto a cabeça funcionar, e as mãos obedecerem ao cérebro, continuamos a escrever, como é o nosso caso como jornalistas. Com os atletas, o tempo é mais cruel.

Os dois voltaram às manchetes por motivos muito conhecidos, mas não custa recordar.

Ronaldinho rescindiu contrato com o Fluminense, depois de rápida (e inexpressiva) passagem pelo clube carioca. Acompanhei nas redes sociais as manifestações de alegria dos torcedores do Flu ao saberem da notícia. Que coisa! Jogador até pouco tempo cobiçado por qualquer time, Ronaldinho agora é motivo de júbilo para a torcida quando anuncia a saída. E, no caso, a torcida tem toda a razão. No Flu, Ronaldinho mais atrapalhou que ajudou. Correm também boatos de sua imensa dedicação à noite carioca, da mesma forma como aconteceu em sua também infeliz passagem pelo Flamengo. Boatos verdadeiros? Não sei. E pouco me importa saber. Mas o que fez, ou deixou de fazer em campo, isso importa sim. E foi muito pouco. Depois de sair do Atlético-MG, onde deixou saudades, Ronaldinho foi atrás de mais dinheiro no Querétaro, do México. Não deu certo. Voltou ao Brasil, para o Flu. Também não foi legal. Sai sem marcar um mísero gol. Aos 35 anos, para onde vai?

Já o caso com Rogério Ceni foi a famosa falha diante do Palmeiras, que resultou no gol de empate de Robinho. Rogério, conhecido pela habilidade com os pés, tinha uma bola difícil, apertado que estava por Alecsandro. Entregou a bola nos pés de Robinho, que o encobriu e marcou o gol. Lembremos que no Campeonato Paulista, Ceni, em outra falha, havia tomado gol por cobertura, e do mesmo Robinho. Podem imaginar o que esse novo erro rendeu de gozação nas redes sociais, esse território onde os fracos não têm vez.

O que aconteceu com Ceni? Já não tem o mesmo reflexo, a mesma habilidade? Pode ser. A idade é implacável e ele tem 42 anos. Muito, mesmo para a posição de goleiro. Mas, vendo-o jogar, parece ainda estar em alto nível. Números comprovam sua eficácia. Agora, os erros pontuais o entregam. Pode ter sido apenas excesso de confiança. Afinal, se tivesse isolado a bola, ninguém estaria falando nada. Quis sair jogando. Deu-se mal. E afundou o time, já nos acréscimos. Deve ter passado uma das piores noites de sua vida, com o lance se repetindo várias vezes em sua cabeça.

Uma vez ouvi falar que jogador de futebol morre duas vezes. A primeira quando para de jogar. A segunda, quando falece mesmo, como qualquer mortal. Acho que quem me disse isso foi o Ugo Giorgetti, colunista aqui no Estado e autor de um dos mais belos filmes de ficção sobre futebol, Boleiros. Parece que Ugo a ouviu de um ex-craque, talvez Pepe, do Santos, e colocou-a na boca de um dos seus personagens de ficção, interpretado por Flávio Migliaccio. Num momento muito dramático, ele confessa aos parceiros de bar que toda noite sonha com os tempos em que jogava, quando as pernas o sustentavam, sem o peso de agora. Sente-se frágil, envelhecido, próximo da morte.

Não é o caso de Rogério e Ronaldinho, ainda jovens para a vida. Mas podemos nos colocar em seu lugar e sentir por que, ainda que já tenham a parte econômica muito bem resolvida, hesitam tanto em pendurar as chuteiras e as luvas.

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