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Gol de placa do Baixinho

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 14h36

27/3/2007

O “milésimo” não saiu no domingo, mas será marcado no domingo contra o
Botafogo ou qualquer dia desses. Pouco importa. Na verdade, Romário já pode
comemorar seu maior gol – ter transformado em suntuoso espetáculo um ocaso
de trajetória que muitos previam melancólico. Lembram? Não faz muito tempo
se ouvia muita gente “aconselhando” o Baixinho a encerrar a carreira o
quanto antes para não se desmoralizar. Citavam exemplos de jogadores que
haviam saído no auge para deixar lembrança positiva, e condenavam o grande
atacante do passado que, no presente, parecia se arrastar em campo, como
sombra de si mesmo.
Então o Baixinho meditou, jogou seus búzios, puxou pela memória, refez
contas e concluiu que estava na reta final para o milésimo gol. E que, com
os números que tinha em mãos, dava para chegar lá com a bola nos pés. Ganhou
vida nova. Conseguiu estabelecer meta para a saída de cena, coroando-a com o
apogeu de marca magnífica. Atraiu para si os holofotes da imprensa. E ainda
colocou numa sinuca de bico a mídia, com a qual sempre se relacionou com
altivez e às vezes com irreverência. Os que cobram exatidão e fazem
ressalvas à inclusão de gols da fase amadora ficam com a pecha de chatos e
estraga-prazeres. Os que embarcam no deslumbramento acrítico se arriscam a
ser tachados de levianos.
Enfim, com essa tacada de mestre, Romário exigiu que todos nós falássemos
dele, bem ou mal, e iluminássemos a reta final de carreira de fato
extraordinária. Na eventualidade de um dia vir a pendurar as chuteiras, o
Baixinho já encontrou o que fazer na vida: pode assumir sem sustos a
diretoria de marketing de qualquer grande empresa.
SELEÇÃO
Se Dunga tiver juízo, mantém a escalação da trinca Robinho, Kaká, Ronaldinho
Gaúcho no jogo contra Gana. Os três foram bem nos 4 a 0 contra o Chile e
podem repetir a atuação. Afinal, o Brasil está fazendo esses amistosos por
questão mercadológica, e dar show é importante para o marketing da CBF.
Justifica o cachê presente e assegura os futuros. O que fica disso é que os
três têm mesmo de jogar juntos, o que já se sabia desde aquela partida da
Copa contra o Japão. Ou muito antes. Ouço dizer que Dunga pode experimentar
Ilsinho e Kléber nas laterais. Os dois estão jogando muito bem, a meu ver
melhor do que Daniel Alves e Gilberto. É maneira, também, de dar satisfação
aos clubes que ficaram desfalcados dos jogadores. Ou será que atravessaram o
Atlântico só para passear?
PAULISTÃO
Falando do futebol sério: o Santos disparou, o São Paulo ficou pouco atrás,
o Palmeiras segue na briga e o Corinthians estacionou com o empate com o
Barueri. A derrota para o São Caetano é reflexo de cansaço temporário do São
Paulo ou seria sintoma de “fadiga do material”, que às vezes derruba times,
homens e pontes em aparência sólidos? Vale conferir nos próximos jogos. O
Santos vem jogando para o gasto, como se guardando para a hora do vamos ver,
no Paulista e na Libertadores. Foram duas vitórias contra rivais fracos, o
Gimnasia e o Rio Claro, e ambas na bacia das almas. Vamos ver se a
estratégia de poupança de Luxemburgo funciona. O Palmeiras confirmou a
evolução e o Corinthians, que vinha inflado pela empolgação, tropeçou, o que
é natural, dada sua fragilidade. Camisa vale muito, mas é preciso ajudá-la.
Ao estender a carreira, Romário fez com que todos falássemos dele

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