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Hoje tem jogo da seleção. E daí?

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 14h08

10/10/2006

De que adianta o jogo de hoje contra o Equador? De nada, eu diria. Ainda
mais porque acontece em Estocolmo, e não serve sequer para reaproximar a
seleção do seu público-alvo, a torcida brasileira. Digo isso e já me
arrependo do que escrevi. Público-alvo? Quanta inocência… Quem disse que a
seleção deseja se reaproximar da torcida brasileira, ou que isso seja do
interesse de quem a explora, a CBF, ou mesmo dos jogadores que a compõem?
Nesse sentido, exibir-se para um público internacional parece fazer muito
mais sentido para o projeto da entidade porque é mais rentável, atinge um
público de maior poder aquisitivo, etc. E, para os jogadores, também é
melhor exibir-se em seu próprio território de atuação.
Portanto, quem esperava que, depois do fiasco da Alemanha, a seleção fosse
redefinir seus rumos e “abrasileirar-se”, pode desde já tirar seu cavalinho
da chuva (o que será que esta expressão quer dizer, meu Deus?). Dunga entrou
para obedecer o chefe, Ricardo Teixeira, e este tem na seleção seu
carro-chefe, financeiro e político. E ponto. O resto é saudosismo.
Raciocinando assim, fica claro como mudaram as expectativas de todos,
torcedores e clubes brasileiros, em relação à seleção. Antes, os clubes (e
as torcidas) disputavam a primazia de ter seus craques convocados. Ter mais
jogadores na seleção era sinal de que seu time era melhor que o do rival.
Hoje é o contrário. A seleção passou a ser um estorvo, pelo menos para quem
não está a fim de valorizar o jogador para vendê-lo no mercado externo. Daí
a chiadeira do São Paulo com a convocação do Mineiro. O Grêmio parece ter
ficado contente em perder Lucas, porque, convocado, interessou ao Atlético
de Madri e pode ser vendido em euros. Já o diretor de futebol do São Paulo,
Marco Aurélio Cunha, estranha que seu clube e o Grêmio tenham jogadores
convocados, enquanto Fernandão, “que está arrebentando no Inter”, não seja
lembrado. Seria um complô?
Já os jogadores ficam deslumbrados com as perspectivas profissionais abertas
por uma convocação. Os neófitos, que ainda jogam no Brasil, sonham com a
transferência para o exterior. Os veteranos esperam que a seleção os
valorizem em seus clubes. Por exemplo, Robinho, que esquenta o banco no Real
Madrid, tenta usar a seleção como trampolim para a titularidade. Outros vêem
chances de subir de status: Elano, sem visibilidade na Ucrânia, vislumbra a
chance de se mudar para um time de ponta e valorizar-se. E assim por diante.

Repito a pergunta inicial: para que serve o jogo contra o Equador? E
reformulo a resposta: para nós, brasileiros, torcedores ou simples
aficcionados do futebol, nada. Para quem tem interesses econômicos no mundo
da bola, significa realização de bons negócios. A seleção, a velha e boa
camisa amarela de cinco estrelas, não parece ser um fim em si, mas um grande
pólo gerador de lucros. Com os quais eu e você, leitor, nada temos a ver.
Daí o desinteresse que tenho encontrado (pelo menos em meu meio de
relacionamento) com os destinos do selecionado e seus jogadores. Ou será que
alguém, fora a torcida do Barcelona, anda perdendo o sono com a má fase do
Ronaldinho Gaúcho? Alguém, fora os torcedores do Real Madrid, se interessa
pelo fato de Robinho até agora não ter rendido o que dele se esperava? Ou
alguém se inquieta pela ausência de Adriano, com exceção dele próprio e da
torcida da Inter?

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