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Jogando a toalha

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 22h29

Será que é válido jogar a toalha a esta altura do campeonato? Ou seria apenas exercício de realismo? A pergunta me ocorre ao ouvir as manifestações de Mano Menezes e Vanderlei Luxemburgo depois da rodada deste fim de semana. O técnico do Corinthians já admitiu que o sonho da tríplice coroa foi para o espaço. Já o do Santos informou à distinta torcida que conseguir uma vaga para a Libertadores vai ser muito complicado. As declarações vierem como consequência da derrota do timão para o Flamengo e do empate do Peixe com o Avaí. São considerações justas, a meu ver. Refletem fielmente o que se viu nos dois jogos. E também no retrospecto dos dois times.

No Maracanã, vimos um Corinthians sem alternativas de jogo diante de um Flamengo um pouco melhor, que perdia gol atrás de gol, até que Adriano, batendo errado na bola, fez o que parecia (e era) o mais difícil. Na Vila, depois de jogar bem e abrir dois gols de vantagem, o Santos mais uma vez não soube administrar o que tinha acumulado e deixou a vitória escapar pelo ralo. Méritos do adversário. O Avaí é um time bem montado por Silas. Não se desesperou com a desvantagem e continuou a jogar do mesmo jeito, contando com as falhas do Santos, que sempre acontecem. Ninguém que aposta contra a defesa santista arrisca-se a desperdiçar seu dinheiro.

Ficou óbvia a dificuldade de Mano Menezes em reorientar seu time depois do tsunami que se abateu sobre o Parque São Jorge na famigerada janela de transferências. Como evidentes são os problemas de Luxemburgo para fazer omelete com os ovos de que dispõe. Se alguma previsão for possível em esporte tão imprevisível, é que esses dois times, na melhor das hipóteses, parecem destinados a patinar em posições intermediárias. Isso, sendo otimista.

De qualquer forma, parece óbvio que, mais que jogar a toalha, os treinadores passaram recados às respectivas diretorias. Precisam de jogadores. Com urgência. O Corinthians, para tapar os buracos e refazer o elenco após o desmanche. O Santos, para ganhar uma estrutura de vencedor que já não tem faz dois anos. Será que as diretorias vão ouvir e entender o recado dos técnicos? Não sei. São casos diferentes. O Corinthians tem algo por que lutar no ano que vem, quando comemora o seu centenário. Mas é preciso lembrar que não basta dispor de uma vaga na Libertadores – é preciso honrá-la. Já o Santos, a esta altura, parece um time sem futuro, por mais que o “senador” Luxemburgo fale em planejamento. O fiasco neste ano pode comprometer também a próxima temporada, portanto já passou da hora de acordar. Não à toa, Luxemburgo diagnosticou o óbvio: o ambiente na Vila anda ruim. Claro, porque os torcedores sabem o time que têm. E o time que vêem em campo não induz ninguém ao bom humor.

Na contramão desses dois, os outros grandes paulistas progridem a olhos vistos. O Palmeiras, se de fato drenar o êxodo como prometeram Belluzzo e a Traffic, tem caminho aberto para o título. Já o São Paulo vem numa ascensão das mais consistentes. Todos duvidamos da capacidade de Ricardo Gomes em pilotar a máquina tricolor, em especial a partir da lembrança do seu trabalho no pré-olímpico. Pois bem, talvez seja chegada a hora de reavaliar. O São Paulo, que até agora não perdeu jogadores, parece encorpado e vem jogando de maneira até mais agradável que no tempo de Muricy. Se a performance se confirmar, Ricardo Gomes será uma das boas novidades do ano.

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