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Jogos chatos, jogos empolgantes

Luiz Zanin Oricchio

14 de maio de 2015 | 10h58

 

Ontem foi dia de futebol. Para valer. Quem gosta do esporte tinha com que se ocupar o dia inteiro. À tarde, Real Madrid x Juventus, disputando a vaga na final da Champions. À noite, Copa do Brasil e Libertadores da América. Todos jogos decisivos.

O da tarde foi empolgante. Ver a Juve arrancar a vaga do Real Madrid no Santiago Bernabeu…bem, isso não tem preço, embora não estivesse torcendo para um ou outro. O time italiano jogou com cabeça e coração. E, depois de empatar, conseguiu travar a equipe do Madrid, com Cristiano Ronaldo & Cia. Pega, agora, o Barcelona de Suárez, Messi e Neymar, esse ataque de sonhos.

Já o Santos ganhou por 1 a 0 do Maringá, numa partida sonolenta. Ok, passou de fase na Copa do Brasil. Mas poderia, talvez, ter dado um pouco mais de alegria, para não dizer de prazer aos torcedores que foram à Vila Belmiro. Ou que se incomodaram vendo pela TV. O time foi burocrático, em que pese a marcação cerrada dos paranaenses. Ricardo Oliveira marcou, quase no final. O 0 x 0 chocho também daria a vaga ao Santos. Pelo menos ganhou. Não conheço ninguém que tenha se empolgado com o jogo. Foi um mau começo de noite.

Por sorte, havia a Libertadores. O São Paulo foi eliminado nos pênaltis pelo Cruzeiro. Hora de repensar a vida porque, apesar de tudo, a eliminação era bola cantada. Se o Cruzeiro fosse mais eficiente, teria liquidado a fatura no tempo normal de jogo. Vacilou, foi aos pênaltis, poderia ter perdido. Foi mais time ao longo da partida.

Escolhi ver Internacional x Atlético-MG, dando umas espiadas em Corinthians x Guarani. Acho que fiz bem. Pelo que vi nos melhores momentos (que não foram tantos assim), o Corinthians perdeu para os paraguaios e para si mesmo. Perdeu a cabeça. E a oportunidade de avançar. Tido como melhor time brasileiro no início do ano, vem decepcionando. Também precisa se repensar. E nós, repensarmos nossos prognósticos e critérios.

Já no Sul, a torcida do Inter fez uma festa linda no estádio, os gols foram maravilhosos e o Atlético, mais uma vez, mostrou porque este é um time tão querido – não se entregou jamais. Disputou cada palmo do terreno e esteve a um milímetro de empatar o jogo, o que o levaria para os pênaltis. O deus das traves não quis.

Ou seja, tive ontem, como toda a torcida, momentos de tédio e momentos de empolgação. Bem jogado, e disputado com disposição, o futebol é o mais belo dos jogos. Não tenho dúvida disso. Praticado de forma burocrática, sem arte e nem vontade, é uma chatice. Jogadores de futebol deveriam se assumir como homens do espetáculo que são. Precisam emocionar, fazer as pessoas sonharem, dar lições de vida dentro de campo. Quando não fazem isso, por falta de talento ou de vontade, ou de ambos, não justificam as chuteiras que vestem.