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La donna è mobile

Luiz Zanin Oricchio

27 de dezembro de 2011 | 23h00

Em uma de suas óperas, Giuseppe Verdi diz que mulher é mais volúvel do que
pluma ao vento. E comentários esportivos parecem mais inconstantes do que a
mulher do Verdi. Não é que o Palmeiras, tido até a véspera como grande
bicho-papão do campeonato, acaba de ser destronado da condição de favorito
só porque perdeu para o São Paulo? Não é que o Corinthians, que de fato tem
o melhor elenco, passou a ver visto como o provável vencedor por conta da
goleada de sábado? Não é que o Santos, que todo mundo sabia estar em
montagem, é visto como cachorro morto, porque perdeu da Lusa Santista?
No fundo, essas mudanças bruscas de opinião, baseadas apenas nos últimos
resultados, refletem o equilíbrio do campeonato e a dificuldade de fazer
previsões em matéria de bola. Como as da meteorologia, elas vão mudando
conforme as nuvens e os ventos. No futebol, como no clima, fazer
prognósticos muito fechados equivale a dar a cara para bater.
Quem assistiu ao clássico viu um jogo muito igual, decidido nos detalhes a
favor do São Paulo. Pelo que produziram os dois times, se desse empate, ou
Palmeiras, não seria nenhuma aberração. Agora, quem achava (eu inclusive)
que o São Paulo estava muito enfraquecido pelas saídas de Cicinho, Amoroso e
Grafite, se sente obrigado a revisar cálculos. E quem já saiu falando que o
Palmeiras não é lá essas coisas, só porque perdeu um jogo, deve lembrar das
sete vitórias seguidas – série que não se consegue por acaso.
Do outro lado, quem tinha certeza de que a simples presença de um grande
técnico seria suficiente para formar um esquadrão, deve refletir de novo, em
especial depois de ver o primeiro tempo do jogo do Santos contra a Lusinha.
Ficou claro que o Peixe precisa de reforços. Mas também por que esquecer que
o time vinha de três vitórias seguidas? E por que esquecer o que todo mundo
dizia, que o time estava em formação e portanto iria oscilar? Pois bem:
oscilou. Para baixo.
Erraríamos menos com análises baseadas em séries mais longas, só que o
futebol não nos dá tempo para isso. Deveríamos talvez prestar menos atenção
aos resultados dos jogos e mais ao que realmente acontece em campo. Nem
sempre o placar reflete com exatidão o comportamento das equipes. Mas
tendemos a raciocinar como se isso acontecesse com rigor matemático. Não é
bem assim.
PÍLULAS DO MUNDO DA BOLA
*É chato elogiar o Ricardo Teixeira, mas a gente tem de ser coerente: gostei
da manutenção do Brasileiro em 20 participantes, apesar do lobby contrário
de alguns clubes. Respeito o pensamento de quem diz que o Brasil é grande
demais para ter apenas 20 times na Série A. Respeito mas não concordo,
porque o problema é de qualidade e não de quantidade. Será que temos mais de
20 bons times no País? Acho que não. Sei lá, se encontrarmos meia dúzia já
me dou por satisfeito. Agora, o que não respeito mesmo é o argumento (nunca
confessado por inteiro) dos grandes clubes. Dizem que ficam a perigo num
campeonato em que 4 descem. O que desejam? Cadeira cativa na elite? Se não
querem correr riscos,que se preparem direito. Aliás, clube grande tem de se
preparar é para ganhar o campeonato. Se entra com medo de cair, já é um
rebaixado moral, se me permitem a expressão.
*Luizão, que já beijou uns 500 escudos, chegou ao Flamengo e disse estar
realizando antigo sonho, já que é Mengo desde criancinha. Outro sonho
realizado: Alex Dias saiu do Vasco para o Morumbi e declarou que torce para
o São Paulo desde tenra idade. Comovente.
*Jorginho, lateral da seleção do tetra e hoje técnico do América, proibiu os
jogadores de falarem palavrão. Mesmo em treino. Evangélico, exorta os
boleiros a se afastarem de cigarro, bebida e sexo fora do casamento. O
símbolo do América é um diabinho. Jorginho quer mudá-lo.
*Leio que Ronaldinho Gaúcho entrou com pedido de naturalização espanhola. Se
o processo seguir rápido, poderá jogar como “compatriota” de Roberto Carlos
e Ronaldo já nesta Copa. Temos de reconhecer: é incrível como tem subido o
nível dos jogadores espanhóis.

7/2/2006

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