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Lições de vida

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 22h32

É humano. Gostamos de tirar lições dos fatos que acontecem. Mesmo que essas lições nada sirvam para saber como devemos nos comportar no futuro. É como se a experiência acumulada não passasse de um carro com os faróis iluminando a parte detrás da estrada, e não a que vem pela frente. Era o que dizia o grande escritor mineiro Pedro Nava, autor de autobiografias admiráveis que, confessava, aumentavam muito o seu entendimento do passado mas infelizmente em nada o preparavam para o futuro.
Talvez seja por isso que os palmeirenses não consigam tirar da cabeça o desastre no Rio diante do Fluminense. Ok, todos sabiam que o jogo seria difícil, com o Flu em ascensão e ainda motivado pela ameaça do rebaixamento. Mas quem poderia esperar 3 a 0 logo no primeiro tempo? Acho que nem o fantasma de Nelson Rodrigues, o mais fanático dos tricolores. E se o Flu, agora de Renê Simões, jogou bem (e jogou) também não se deve esquecer que contou com o apagão mental do Palmeiras. Será que foi efeito daquele jogo no meio de semana pela Sul-Americana?
Quem pode garantir? O problema, nos eventos humanos, é que eles não se repetem. Assim, tudo o que se pode fazer é uma suposição: “se” o Palmeiras não tivesse jogado aquela partida desgastante contra os argentinos, talvez estivesse em melhores condições para enfrentar o Flu no jogo decisivo no Maracanã. Mas, como saber, já que o “se” não entra em campo?
O que talvez, se possa saber é que raramente dá certo dividir-se em duas competições – nenhum time brasileiro tem elenco para tanto. Mas, como fazer, se todo ano é a mesma coisa? Os melhores dividem-se entre o Brasileirão e a Libertadores, às vezes com conseqüências terríveis, como é o próprio caso do Fluminense, que quase ganhou o título do torneio latino-americano, entrou em depressão e esteve até há pouco bastante ameaçado de cair para a segunda divisão.
Já os remediados ficam com a Sul-Americana, esse patinho feio das disputas futebolísticas. Mas não é que o técnico do Santos, Márcio Fernandez, afirma que o seu time ainda “sonha” com a Sul-Americana? Sonha? Se, por acaso, no ano que vem o Santos montar um time melhorzinho, e estiver disputando o título ou uma vaga para a Libertadores de 2010, certamente reclamará de que a Sul-Americana lhe atrapalha a vida. Isso se conseguir a vaga.
Assim são as coisas. Ninguém aprende nada com nada. Ou, pelo menos, finge não aprender. Porque, no caso do Márcio Fernandez, a estratégia parece clara: como fica muito feio dizer que o objetivo de 2008 do tradicional time da Vila Belmiro é apenas não cair, faz de conta que mira alguma coisa mais positiva, uma vaga em torneio internacional, mesmo que de segunda linha.
Ou seja, os times brasileiros sabem que não dá certo dividir-se em duas competições, porque não dispõem de infra-estrutura para tanto. Mas, ao mesmo tempo, esfalfam-se a mais não poder para estar na Libertadores, ou, em falta desta, na Sul-Americana. Típico caso em que o olho é maior que a boca, como se diz lá no interior.
Lição aprendida
É de se desejar que, agora que o Corinthians voltou de fato à Primeira Divisão, tenha aprendido que não adianta se meter em trapalhadas financeiras para montar um grande time. Esse tipo de expediente cobra juros muito altos. Altos demais, na verdade. Mas será que os clubes, e não falo apenas do Corinthians, aprenderam de fato essa lição tão óbvia?

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