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Mais calor no campeonato

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2011 | 21h24

12/2/2008
Sinal de jogo bom é quando o comentarista se vê obrigado a usar verbos no
condicional e empregar os discutíveis conceitos de justiça e merecimento. O
São Paulo “deveria” ter feito quatro ou cinco gols no primeiro tempo. Kléber
Pereira “poderia” ter matado o jogo em duas ou três oportunidades. O placar
foi “justo” porque o São Paulo teve maior volume de jogo durante mais tempo.
O Santos “merecia” melhor sorte porque suas chances de gol foram mais agudas
do que as do adversário. E assim por diante.
Estão aí as diferentes maneiras de interpretar um jogo – sem necessidade de
comentar as barbeiragens da arbitragem. Tão rotineiras, aliás, que já existe
na crônica quem recomende não falar mais de juízes, já que as falhas são
inevitáveis e dar destaque a elas é tirar o foco do que importa de fato, a
bola rolando. É uma opinião, e com a qual não concordo. Se não falarmos das
falhas, como cobrar melhorias?
O clássico de domingo teve de tudo isso. Jogadas e lances na condicional,
lambanças da arbitragem e interpretações em conflito. Teve, acima de tudo,
muita emoção e isso porque vieram os gols que faltaram nos outros clássicos
do campeonato. Jogo sem gol pode ser até muito interessante, etc., mas não
chega ao clímax, se é que me entendem. É provável que este São Paulo 3 x
Santos 2 só tenha sido tão bom porque o primeiro gol saiu relativamente
rápido, aos 15 minutos. Um gol que sai cedo cria uma tensão favorável no
jogo, uma “boa instabilidade”, pois quem fica inferiorizado tenta logo se
igualar e, assim, os cuidados táticos tendem a afrouxar. O jogo fica menos
racional e mais passional. E quem sai ganhando é o torcedor, que tem
assunto para as polêmicas de botequim.
Claro, o jogo perfeito seria aquele que reunisse várias qualidades: fosse um
duelo tático e técnico, mas que não ignorasse a paixão, os gols e as grandes
jogadas, de um lado e de outro. Como estamos longe desse ideal, melhor que,
pelo menos, tenhamos emoção em campo. E, pode-se falar o que se quiser desse
San-São, mas não há como negar que os jogadores atuaram com o coração. Às
vezes até um pouco a mais, como provam os desentendimentos que resultaram
nas expulsões de Tabata e Adriano. Faz parte.
O resultado do clássico é que o São Paulo volta à zona de classificação para
as semifinais – o G4 – e o Santos se afasta dessa meta dramaticamente. Se o
São Paulo ainda é o favorito ao título, ficou quase impossível para o Santos
atingir o tricampeonato paulista, seqüência que não consegue desde os anos
60, tempo de Pelé & Cia. Mais ainda porque estréia na Libertadores na
madrugada de quinta-feira, contra o Cúcuta na Colômbia. Começa, assim, a se
dividir entre duas competições, e sem elenco para enfrentar qualquer uma
delas.
Afora o clássico, o que tivemos no fim de semana foram as recuperações de
Palmeiras e Corinthians. O Palestra mostra que, apesar das oscilações, tem
espaço para crescer. Contratou muito, e bem, nas limitações do futebol
brasileiro. Já o Corinthians parece um time sólido na defesa, mas ainda por
ser construído do meio para a frente. É muito ineficiente no ataque e carece
desesperadamente de um meia de criação, profissional em falta no mercado.
Antonio Carlos, manager do Coringão, já disse que dificilmente terá grana
para contratar alguém desse perfil antes da metade do ano. Então, é se
contentar com o que há, o que, convenhamos, não é muito.
Faltava a este Paulistão um jogo que rendesse discussão de boteco

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