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Mundial de clubes não faz mais sentido

Poderio econômico tornou o desnível entre times europeus e sul-americanos tão grande que ficou antiesportivo colocá-los em confronto

Luiz Zanin Oricchio

16 de dezembro de 2017 | 19h04

Para quem não viu o jogo, o placar sugere uma partida duríssima. 1 a 0, Real Madrid contra o Grêmio. E justifica as frases bombásticas de comentaristas e do técnico Renato Gaúcho: “jogamos de igual para igual” ou “saímos de cabeça erguida”.

Quem viu, sabe que foi uma partida muito fácil para o Real Madrid, pouco exigido ao longo de todo o jogo.

Os números também falam tudo, neste caso: 20 chutes a gol do Real, um do Grêmio.

Não há por que esconder: a diferença técnica entre as multinacionais da bola europeias e as equipes da América Latina tornou-se abissal. Intransponível.

Não é justo colocar em confronto equipes de níveis tão diferentes, assim como não se coloca um peso-pesado para bater num peso-pluma. A ética do boxe não permite.

Cabe lembrar que os europeus não atingiram tamanha superioridade por competência técnica ou iluminação divina, mas pelo poder econômico.

O desequilíbrio total veio com a lei Bosman, que permitiu às equipes mais ricas do Velho Continente tornarem-se seleções multinacionais, sem qualquer limitação prática do número de estrangeiros por equipe.

Enquanto essa situação se mantiver – e não há qualquer indício de que venha a se alterar no curto prazo – o confronto entre times de realidades tão desiguais não faz mais nenhum sentido esportivo.

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