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Nem carnaval nem tragédia

Luiz Zanin Oricchio

29 de dezembro de 2011 | 23h08

Eu não faria nem carnaval e muito menos transformaria em tragédia essa vitória magra contra a Coreia. Claro, o desempenho brasileiro não é para se aplaudir de pé ,mas também não merece vaias, ainda mais numa Copa em que os grandes começaram com o freio de mão puxado, com exceção da Alemanha. O Brasil não foi nem pior nem melhor que a Itália, sua grande competidora em número de títulos, ou que a Argentina, sua maior rival.

Assim, aos muito críticos, peço calma: o Brasil vai se classificar, provavelmente em primeiro lugar, e aí então começa a Copa, para valer. Agora é tempo de esquentar baterias, apurar qualidades e corrigir falhas.

Já aos otimistas militantes imploro prudência. O Brasil ganhou, éverdade, e vencer é sempre importante. Mas mostrou as deficiências que todos temiam. Uma em especial – a absoluta falta de ideias no meio-campo. Quandofoi preciso furar o bloqueio coreano, a seleção não encontrou alternativas. Não havia quem descobrisse o caminho das pedras em meio à marcação cerrada e pudesse acionar o ataque. Kaká está sem ritmo de jogo e talvez em má forma física. Falou-se muito que toda a responsabilidade estava em suas costas e, se não pudesse jogar a contento, não haveria ninguém para substituí-lo. Aí está.

A técnica resolveu o jogo em dois lances – no golaço de Maicon, sem ângulo, e no gol de Elano, depois do passe genial de Robinho.

Essa técnica superior das individualidades será suficiente? É o que vamos ver contra Costa do Marfim e Portugal. O Brasil é melhor do que os dois. Mas terá de mostrar um conjunto envolvente que dê esperanças de bom desempenhonas fases seguintes, quandoentão chegarem os bichos papões de sempre.

Quem quiser, veja aqui o bate-bola sobre o jogo na TV Estadão, do qual participei.

(Caderno da Copa 2010)

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