Neymar entrou e acabou com o jogo
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Neymar entrou e acabou com o jogo

Craque muda o jogo ao entrar no segundo tempo de Estados Unidos x Brasil

Luiz Zanin Oricchio

09 de setembro de 2015 | 08h07

Quantas vezes já se escreveu a frase que dá título a este artigo? Eu mesmo acho que já escrevi várias, tamanho o poder da individualidade desse jogador, formado nas oficinas de craques da Vila Belmiro. Notem que não falei em “fábrica de craques”, mas em “oficina”. A formação de um craque não se dá em série, mas de maneira artesanal.

Ontem, contra os Estados Unidos, foi mais uma vez assim. O jogo seguia morno, depois de o Brasil ter aberto a contagem com Hulk aos 8′, após bela jogada de Willian.

Bastou Neymar entrar no segundo tempo para tudo mudar de figura. Na primeira jogada, driblou um zagueiro e sofreu pênalti. Ele mesmo cobrou e marcou. Depois, fez um genial corta-luz, deixando a bola para Lucas, que serviu a Rafinha para este marcar. Por fim, e para fechar o show, uma pintura: Neymar entrou na área, passou por dois e, em meio a uma multidão de pés adversários, atrasou o chute um milésimo de segundo, tirando o tempo do goleiro. O Brasil venceu os Estados Unidos por 4 a 1. Recital de Neymar.

Enfim, a seleção joga em outro nível quando ele está em campo. Em geral. Nem sempre funciona. Nada funciona sempre.

Por isso têm razão os comentaristas ao dizer que não se pode confiar 100% numa individualidade, por genial que ela seja. O maior de todos, Pelé, jogou em excelentes times, rodeado de grandes jogadores ou de craques. É preciso ter um conjunto sólido, no qual eventuais desníveis técnicos, ou mesmo a jornada infeliz de um fora de série, possam ser absorvidas e contornadas pelo todo. É assim: se o solista está de ressaca, a orquestra dá conta do recado e salva a noite.

Isso é bem verdade, e vale para seleções e para times.

Mas o fator de desequilíbrio do craque é bastante evidente, na maior parte das vezes. E, hoje, Neymar, é o único craque, a avis rara capaz de desequilibrar na seleção.

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