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O caminho já está apontado, agora é seguir em frente *

Luiz Zanin Oricchio

24 de junho de 2014 | 11h22

Ufa! Acabou a primeira fase, com boa vitória sobre Camarões, e estamos nas oitavas. Vamos pegar o Chile, que apresentou bom futebol, mas perdeu da Holanda na última rodada.

No entanto, você viu o jogo e sabe que não foi um passeio. O Brasil começou à toda, mas não conseguiu marcar logo de cara. Neymar resolveu, uma vez mais. Então a equipe brasileira dispersou-se, começou a jogar mal, fazia ligações diretas, errava passes. Camarões empatou, com Matip. Outra vez Neymar resolveu e colocou o Brasil em vantagem. O segundo tempo foi outra coisa e, depois do gol de Fred aos 4′, Camarões desanimou.

Mas, além da vitória, de que necessitávamos como de ar, o fato mais importante do jogo foi a entrada de Fernandinho no lugar de Paulinho. Deu outra consistência ao meio de campo, o time ficou mais encorpado e, ainda por cima, marcou um gol. Só não foi o melhor em campo porque havia lá outro jogador que atende pelo nome de Neymar Jr.

Isso é o fundamental. Tivéssemos vencido apenas com mais um recital de Neymar e poderíamos estar contentes, porém preocupados com essa dependência. Não que ela não exista. Mal se pode pensar o que seria dessa seleção brasileira sem o ex-santista. Acontece que o resto do time tem de corresponder, porque não é sempre que o craque vai fazer milagres. Com as alterações, em especial a entrada de Fernandinho, o Brasil ganhou o que lhe faltava – o meio campo. Sem ele, o jogo não flui, fica picotado, ou dependendo de chutões aleatórios.

Enfim, esses 4 a 1 deram a classificação ao Brasil e o primeiro lugar do grupo, evitando um encontro prematuro com a Holanda, para mim, até agora, o grande bicho papão dessa Copa. Se ela tiver de vir, que seja mais adiante. Mas deram também à Comissão Técnica a demonstração clara de que às vezes mudanças são necessárias, mesmo em time tão bem-sucedido como o vencedor da Copa das Confederações. Jogadores, seres humanos que são, oscilam. Podem estar bem num ano, menos no outro. Então, quando isso acontece, é preciso mudar. O compromisso da seleção é com a vitória, não com nomes individuais. Quem está em má fase cede lugar a quem está jogando melhor. É assim que funciona. Fernandinho está melhor que Paulinho. Caiu como luva naquele setor.

Agora é o Chile. Vai ser fácil? Que nada. Quem viu os 3 a 1 sobre a Austrália e, sobretudo, os 2 a 0 sobre a Espanha, sabe que o Chile de Sampaoli não é osso fácil de roer. Sábado, no Mineirão, provavelmente teremos um jogo tenso, difícil, em que erros podem custar caro.

A seleção vai precisar de coração e sangue-frio. Atacar e saber prender a bola quando for preciso. E necessita de uma torcida que a apoie e não se limite a assistir ao jogo e a entoar de vez em quando esse anêmico “Eu sou brasileiro com muito orgulho com muito amor”. Para ganhar a Copa é preciso mais energia, tanto dentro de campo como nas arquibancadas.

* Coluna publicada no Caderno de Esportes do Estadão 

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