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O Campeonato Paulista se arrasta

Luiz Zanin Oricchio

21 de março de 2016 | 12h18

 

A verdade é que o Paulistão se arrasta.

E confirma sua vocação de laboratório de testes dos times grandes.

Estes vão se ajeitando, no começo de temporada, e apresentando suas inúmeras dificuldades. Ninguém joga lá muito bem.

No Paulistão, isso não é problema, pois precisarão apresentar futebol mais consistente apenas quando chegarem às fases decisivas do campeonato.

O problema é que a Libertadores já está rolando e esta competição não espera pelo “ensaio geral” de início de temporada. A Liberta não perdoa. Quem não estiver jogando bem, como é o caso do Palmeiras, corre o risco de ficar pelo caminho de forma prematura.

De qualquer forma, os quatro grandes de São Paulo parecem em estágios diferentes de formação.

O Palmeiras não se arruma e, depois de mandar Marcelo Oliveira embora, tenta engrenar-se com Cuca. Até agora não deu certo e sua derrota ontem, para o Audax, foi mais uma prova disso.

O São Paulo é outro que não se encontra. Curioso: sempre se queixaram do Ganso. Agora que o rapaz está em boa fase, o resto do time é que não corresponde. Ganso não tem encontrado com quem jogar.

O Santos alterna boas e más apresentações. Ontem empacou contra o Rio Claro. Mas, na média, vai bem. Não sofreu tanto com a janela de transferências e pôde manter a base. Mas sabe que, no meio do ano, virá outra janela e será difícil segurar Lucas Lima e Ricardo Oliveira, para não falar de outros. Tudo é provisório no futebol brasileiro.  

O Corinthians tenta se reestruturar após o desmanche. E, em aparência, tem conseguido. Claro, não será o mesmo Corinthians do ano passado. Não adianta cultivar ilusões – os desmanches sucessivos fragilizam qualquer equipe. Tite tem feito milagres e, se alguma conclusão é possível é a seguinte: o Timão tem uma ideia de jogo. Que é a ideia de jogo do seu técnico. Por isso as “peças”, isto é os jogadores, podem ser substituídas sem traumas incontornáveis. Mas nunca é a mesma coisa que manter a base de uma boa equipe de uma temporada a outra, uma utopia para o atual futebol brasileiro.

Ontem (domingo), o Estadão deu uma excelente matéria sobre a reformulação da Lei Pelé. Essa lei de fato precisa ser mudada. Ela acerta ao extinguir uma iniquidade – a Lei do Passe – e erra ao fragilizar demais os clubes na relação com os jogadores. Os jogadores livraram-se de uma escravidão para cair em outra – a dos intermediários, “empresários”, investidores e toda essa malta que cerca o futebol, dele tirando jogadores e lucros e nada acrescentando à atividade. Enquanto não se desfizer esse nó górdio, criado sob o beneplácito da Lei Pelé, não haverá esperança para o futebol brasileiro. Continuará a ser apenas exportador de talentos, no “bom” e velho modelo extrativista. Coisa da colônia. Que ainda somos, em muitos sentidos. Enquanto não se proteger o formador de talentos – os clubes – não existe solução.

 

Fla-Flu

 

Legal essa história de Fla-Flu em São Paulo, ainda que forçado pela absoluta falta de estádios para jogá-lo no Rio.

Nelson Rodrigues, tricolor da cabeça aos sapatos, elevou o clássico carioca à categoria de epopeia. “O Fla-Flu nasceu 40 minutos antes do nada”, dizia. O Fla-Flu é anterior à Gênese, acrescentava. E, com hipérboles geniais desse tipo, criou a mitologia em torno do jogo.

A ponto de a polarização atual da política brasileira ser, com frequência, chamada de “Fla-Flu”. Nada mais distante que da realidade. O Fla-Flu do futebol se dá dentro do campo e por isso é lindo. Já o da política é cheio de golpes baixos, intolerância, perseguições e outras mumunhas. Não merece a comparação.

Nota fora no Fla-Flu paulistano foi a torcida do Flamengo fazendo o coro “Ei, Dilma, vá tomar no…”

É o seguinte: vivemos (ainda) em democracia e todo mundo pode expressar suas opiniões políticas, de agrado ou desagrado, com maior ou menor ênfase, dependendo da raiva e da educação que teve em casa.

Agora, quem insulta uma senhora, para mim é cafajeste. Simples assim.

 

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