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O futebol sobrevive

Luiz Zanin Oricchio

03 Agosto 2015 | 17h24

As páginas esportivas têm dado manchetes sobre a grande presença de público em jogos do Brasileiro. Em especial, neste horário das 11h da manhã. A galera tem prestigiado o horário matinal. Como a torcida do Palmeiras, que lotou o estádio com quase 39 mil pessoas. Aliás, os dois maiores públicos do Brasileirão foram matinais: São Paulo x Coritiba (59 mil) e Atlético-MG x Joinville (56 mil). Mas não apenas. O Maracanã reviveu suas grandes tardes de domingo com mais de 50 mil pagantes para ver Flamengo e Santos.

Depois de tudo que dissemos do futebol brasileiro, o normal seria ver os estádios às moscas. Baixo nível técnico dos clubes, falta de craques, descrédito na seleção, corrupção na Fifa e na CBF. Quem pode contestar? O previsível seria a torcida dar as costas a esse esporte e procurar outra distração.

Mas, nada disso. Com apenas um pouco de organização e mais esta bela sacada que é o horário matinal aos domingos, e pronto – eis a torcida respondendo positivamente e prestigiando seus times do coração.

Não importa se eles estejam jogando à altura de suas tradições (não estão), se tenham ou não craques maravilhosos para serem vistos (não têm): a torcida lá está, presente, emocionada, levando seu calor ao campo de jogo. O futebol é um milagre, não me canso de constatar. E é da natureza dos milagres ir além de explicações muito racionais. Do contrário, não seriam milagres.

Posso imaginar o que se diria se os estádios estivessem desertos. “Também, com esse nível…” Ou: “desorganizado como é o futebol brasileiro, queriam o quê?”. Ou: “Numa época de crise, acham que o povo vai gastar seu dinheirinho com ingressos caros?”. E etc.

No entanto, lá está a torcida, lotando estádios. O horário beneficia (no caso das 11h). Os estádios estão melhores, em especial as novas arenas. O campeonato é equilibrado e empolgante, etc. Razões não faltam. Mas acho que vale mesmo o velho mistério do futebol. Quando o damos por acabado, eis que mostra a sua cara de novo. Está entranhado no imaginário do povo brasileiro. Ninguém acaba com essa magia de uma hora para outra.

O futebol é uma festa e vai continuar a ser. O que precisamos é concentrar energias e inteligência para melhorar a qualidade da festa.