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O imbróglio da venda de Neymar

Luiz Zanin Oricchio

21 de fevereiro de 2014 | 13h36

O tiroteio era inevitável. Neymar pai contra o Santos. Agora Neymar filho entrou e detonou o ex-clube, na figura do presidente licenciado e o atual. Também inevitável. Ou acham que o craque se voltaria contra o pai para ficar com o clube?

Clubes, hoje, significam muito pouco para jogadores. Os torcedores deveriam ter consciência disso. Clubes são vitrinas, meras passagens em direção à meta principal, o milionário futebol europeu.

Ninguém sabe ainda direito como se deu a negociação.

Claro que o Barcelona aliciou Neymar quando este tinha contrato em vigor com o Santos. Todos fazem isso. Antes dele havia sido o Chelsea, o Real Madri e Deus sabe quem mais. A Fifa finge que é contra esse aliciamento mas é conivente. Privilegia abertamente o futebol europeu, apesar de escaramuças esporádicas com a Uefa. Joga o jogo dos gigantes econômicos.

Neymar foi para a Europa, como todos sabiam que iria, a começar pela imprensa entreguista que fornecia um motivo nobre para essa transferência: Neymar se aperfeiçoaria para a Copa jogando no Barça, e blábláblá. Puro jogo de cena. O que interessa é a grana.

Agora, já que chegamos a isso, fica o seguinte: para o Santos sobrou uma espécie de troco de pinga em relação ao montante final. Para a DIS, idem.

Pelo que sabemos, a garantia de que Neymar iria para o Barça e não para o concorrente de Madri, foi fixada em 40 milhões de euros, que passaram diretamente para os bolsos de Neymar pai, sem serem incluídos no negócio oficial, propriamente dito.

E tudo indica que os primeiros 10 milhões desses 40 milhões foram pagos, como sinal, antes do jogo entre Santos e Barcelona pelo Mundial de Clubes.

Ou seja, quando Neymar entrou em campo, foi para jogar contra os seus futuros colegas de time. Com que cabeça disputava um título mundial? Como o resto do time, Neymar não jogou nada. No final, depois dos 4 a 0, foi pedir camisas de lembrança aos amigos “catalães”. Levou seis para casa, para distribuir as lembranças.

Não sou advogado e nem sei se toda essa tramoia é ilegal.

Mas sou gente e digo que é para lá de imoral.

Obs. Depois de colocar esse post, li matéria de Jamil Chade no Estadão, dizendo que o Barcelona será acionado pela Justiça Espanhola por causa dessa transação. Além de imoral, parece que o negócio foi ilegal também. E Neymar pai deve se entender com a Receita brasileira. Será que declarou os 40 milhões de euros? Leia aqui.

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